Oposição recusa condições para diálogo em Mianmar

Democratas negam negociações com mediador caso militares insistam que Suu Kyi deixe de apoiar sanções

Efe e Reuters,

09 de outubro de 2007 | 08h49

A formação opositora Liga Nacional pela Democracia (LND), da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, advertiu nesta terça-feira, 9, que não dialogará com a Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) se houver a imposição de condições.   Depois dos protestos do mês passado contra décadas de governo militar e o aprofundamento da pobreza em Mianmar, o general Than Shwe ofereceu um diálogo com Suu Kyi caso ela encerrasse seu "confronto" e o apoio a sanções.   "O desejo de conseguir êxito é muito importante, e por isso não deve ser fixada nenhuma condição prévia", afirmou a LND em comunicado. Segundo a formação política opositora, a única que resiste à forte pressão exercida pelo regime militar, "o sucesso do diálogo está na sinceridade e no espírito de dar e pedir".   O regime militar anunciou que esperava manter "relações fluentes" com Suu Kyi, após designar um interlocutor oficial para as negociações a pedido das Nações Unidas.   Embora o intermediário seja apenas vice-ministro do Trabalho, Aung Kyi é uma importante figura do regime e não será apenas um garoto de recados, disseram pessoas que o conhecem. O nome foi anunciado na TV estatal, na noite de segunda-feira.   "Ele é sério, é sênior e já foi mobilizado em situações difíceis antes para resolvê-las", observou um ex-representante da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Rangun.   Críticos afirmam que Than Shwe não teria intenções de conversar com alguém que sabidamente ele odeia e que a proposta destinava-se apenas a aplacar as críticas da comunidade internacional contra a repressão às marchas lideradas por monges e civis desarmados.   Suu Kyi, de 62 anos, está em prisão domiciliar e sem poder se comunicar com o mundo externo há quase 12 dos últimos 18 anos.   Os generais birmaneses, que governam o país desde 1962,enfrentaram no final de setembro as maiores manifestações governamentais em 19 anos, e reprimiram com violência. O governo só reconhece dez mortos e 2.700 pessoas detidas durante a brutal repressão, mas fontes da dissidência elevam o número de vítimas fatais para cerca de 200.

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