REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Oposição reúne multidão contra Maduro e amplia agenda de protestos

Manifestantes pediram rapidez na convocação de um referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro e reclamaram da falta de alimentos, remédios e da inflação galopante no país

O Estado de S. Paulo

01 de setembro de 2016 | 19h07

CARACAS - A coalizão opositora venezuelana Mesa de Unidade Democrática (MUD) reuniu nesta quinta-feira, 1, centenas de milhares de pessoas nas ruas de Caracas no maior protesto de massa em anos contra o chavismo. Os manifestantes pediram rapidez na convocação de um referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro e reclamaram da falta de alimentos, remédios e da inflação galopante no país. 

Diante do sucesso da marcha, que segundo a MUD reuniu 1 milhão de pessoas, novos protestos foram convocados para os dias 7 e a 14. A manifestação ocorreu pacificamente, com exceção de episódios esporádicos de violência entre a polícia e militantes. O chavismo se reuniu em um ponto da cidade, em menor número. Ali, Maduro voltou a fazer ameaças contra a oposição. 

“Mostramos ao mundo o tamanho da Venezuela que quer mudanças.  Convocamos uma nova mobilização para o dia 7”. disse o secretário-executivo da MUD, Jesús “Chúo” Torrealba. Ele também pediu que os venezuelanos aderissem a um panelaço programado para a noite de ontem. 

Outro protesto foi convocado para o dia 14 - está previsto para ocorrer em todas as capitais dos 24 Estados venezuelanos. Segundo a coalizão da oposição os manifestantes devem tomar as ruas dessas cidades por ao menos 12 horas. 

“Hoje é o começo de uma etapa definitiva de luta”, acrescentou Torrealba. “Todos os venezuelanos estamos mobilizados para exercer nosso direito constitucional de protestar para mudar de maneira pacífica e democrática.”

A MUD pressiona o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a fixar a data da segunda fase do referendo revogatório. Segundo o cronograma divulgado pelo Tribunal, cujos juízes foram nomeados pelo chavismo, a votação só ocorreria em 2017. Com isso, mesmo em caso de vitória da oposição, pela Constituição, Maduro seria substituído pelo vice, também chavista.

Após ter sido acusado pela MUD de intimidação nos últimos dias, o chavismo tentou diminuir o impacto da marcha opositora. Maduro declarou que os opositores reuniram “apenas” 30 mil pessoas. 

Pressão. Vestidos de branco e cantando “Vai cair, vai cair, esse governo vai cair” milhares de venezuelanos tomaram pontos estratégicos da capital. Todas as principais lideranças da MUD apoiaram a marcha e participaram dela - em uma rara demonstração de união dos opositores - , entre eles o presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, o governador de Miranda, Henrique Capriles, a muher de Leopoldo López, Lilian Tintori e a ex-deputada Maria Corina Machado. 

“A resposta foi contundente”, disse Capriles. “Vimos a manifestação mais contundente da história da Venezuela.”

Muitos manifestantes saíram de Estados distantes de Caracas, como Bolívar, Zulia, Arágua e Carabobo. A polícia tentou fechar o acesso às entradas da capital, mas muitos opositores conseguiram entrar.  “Derrotaremos a fome, a violência, a inflação e a corrupção”, disse Nat Gutierrez. “Derrubaremos Maduro.”

O ato reuniu também venezuelanos mais humildes, que ao longo dos anos costumavam apoiar o chavismo. “Todos eles só estão interessados em continuar no poder”, disse o pedreiro Luis Palacios, morador da favela de Petare. 

“Temos de sair e lutar por uma Venezuela livre. Não podemos mais aguentar isso”, disse Elizabeth De Baron, secretária de 69 anos que partiu da cidade de Guarenas antes do amanhecer e dirigiu cerca de 40 quilômetros até Caracas.

Temendo violência, especialmente depois dos protestos contra Maduro de 2014, que deixaram 43 mortos, muitas lojas na capital fecharam as portas. 

“O protesto é uma espécie de termômetro para medir a capacidade de mobilização da oposição”, disse Diego Moya-Ocampos, da IHS Markit Country Risk. 

O presidente do Instituto Datanálisis, Luis Vicente León, acredita que a oposição pretende usar o sucesso do protesto para articular-se politicamente nos próximos meses. 

O índice de aprovação de Maduro pela metade e chegou a menos de 25%, em meio a uma crise econômica provocada pela escassez de moeda forte, aumento da dívida pública e queda do preço do barril do petróleo no mercado internacional. / EFE, AFP e REUTERS

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