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Oposição revê tática contra kirchnerismo

Governistas apontam contradições em discurso do conservador Macri, que prometeu manter algumas bandeiras de Cristina

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

20 de julho de 2015 | 20h41

A vitória apertada da direita na disputa pela prefeitura de Buenos Aires no domingo, 19, quando o conservador Mauricio Macri esperava um triunfo contundente capaz de consolidá-lo como líder incontestável da oposição na luta pela presidência, mudou o panorama eleitoral argentino. Nesta segunda-feira, 20, o kirchnerismo - que nem mesmo chegou ao segundo turno na capital - apontava contradições no discurso que Macri deu após a votação em que conseguiu por pouco fazer seu sucessor. O engenheiro Horacio Larreta venceu o economista Martín Lousteau por 3 pontos porcentuais, quando pesquisas chegaram a apontar diferença de 12 pontos. 

Em um movimento interpretado como tentativa de captar eleitores do centro, Macri citou três marcas do governo kirchnerista que serão mantidas caso seja eleito presidente: a administração estatal da Aerolíneas Argentinas e da petrolífera YPF, bem como os subsídios concedidos a desempregados que mantêm os filhos na escola e vacinados. "São coisas em que não podemos voltar atrás", disse Macri, diante de uma militância que o aplaudia sem muita convicção. 

O candidato kirchnerista, Daniel Scioli, afirmou que a votação na capital levou a direita "a um giro brusco que em vez de transmitir confiança provoca confusão". O filho da presidente Cristina Kirchner, Máximo, surpreendeu  - investigado por lavagem de dinheiro em negócios da família, ele cultiva um perfil discreto - ao dizer que Macri quer "manter tudo o que no ano passado queria anular". Sergio Massa, o terceiro nas pesquisas, aproveitou para se relançar como melhor opção contra Scioli. Macri ainda sofreu críticas pesadas de colunistas que apoiam sua candidatura em alguns dos principais meios de comunicação.

Entre os fatores que levaram ao triunfo tímido do Proposta Republica (PRO) no domingo, o principal segundo analistas foi a migração de kirchneristas para Lousteau, ministro da Economia de Cristina até abril de 2008, quando rompeu com o governo. Em síntese, esses eleitores preferiram apoiar um "traidor" para diminuir o triunfo do principal rival em escala nacional.

A votação provocou, senão fissuras, reacomodação de forças nos partidos da oposição. Em 9 de abril, ocorre a primária em que Macri competirá como favorito absoluto com dois integrantes de sua coalizão, Ernesto Sanz, da União Cívica Radical (UCR), e Elisa Carrió, da Coalizão Cívica. Lousteau disse nesta segunda-feira que votará por Sanz na prévia. Caso se confirme o favoritismo de Macri, escolherá Margarita Stolbizer, candidata de esquerda que está fora da coalizão, para não ter de apoiar Macri no primeiro turno em 25 de outubro.

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