Oposição sai na frente nas eleições do Paquistão

Ao fim de uma campanha eleitoral salpicada de atos de violência que resultaram em seis mortos e dezenas de feridos, o partido da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto levava ligeira vantagem nas pesquisas de boca-de-urna divulgadas ao fim da votação desta quinta-feira no Paquistão.O Partido do Povo do Paquistão (PPP), de Benazir - proibida de postular qualquer cargo no país - obtinha 30% das declarações de voto, enquanto a Liga Muçulmana do Paquistão (PML-QA), do atual presidente de fato, Pervez Musharraf, tinha 27%. Musharraf prometeu deixar as funções de chefe de governo para o partido vencedor das eleições parlamentares desta quinta, mas manterá o cargo de presidente por mais cinco anos.Segundo analistas locais, qualquer que seja o resultado das eleições, não há dúvidas de que Musharraf continuará a ser o homem forte do país. O presidente, um general do Exército, tomou o poder em 1999, depois de desfechar um golpe contra o impopular primeiro-ministro constitucional Nawaz Sharif - que, como Benazir, está legalmente proibido de ocupar cargos políticos.Após o golpe, Musharraf dissolveu o Parlamento e criou o Conselho Nacional de Defesa, um organismo por meio do qual se institucionaliza a participação dos militares nas decisões políticas do país. Estima-se que a abstenção deva superar largamente os 36% do eleitorado - de quase 72 milhões de votantes - registrados na eleição de 1997.Popular entre os paquistaneses, Musharraf obteve a complacência de Washington com seu regime ditatorial depois de tornar-se aliado-chave dos EUA na guerra contra o terror. Aeroportos do sul do país foram postos à disposição dos militares americanos para servirem como bases de apoio logístico para os ataques contra o vizinho Afeganistão.

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