Shaam News Network/AP
Shaam News Network/AP

Oposição síria denuncia execução de pelo menos 200 civis no sul de Damasco

Assad reforça a promessa de 'arrasar a qualquer preço' o que considera um complô contra seu regime

WASHINGTON POST e THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2012 | 03h04

BEIRUTE, LÍBANO - Pelo menos 200 cadáveres encontrados durante o fim de semana em Daraya, na periferia de Damasco, foram enterrados no domingo, 26, em covas coletivas. Segundo opositores de Bashar Assad - que reapareceu também ontem para reafirmar o compromisso de "arrasar a qualquer preço" a rebelião -, os mortos foram vítimas de tropas do regime que tentam livrar a capital de focos rebeldes. Alguns corpos apresentavam sinais de execução.

 

Veja também:

linkVice-presidente sírio aparece e finda rumor de deserção

video TV ESTADÃO: 'Assad é pior que Kadafi, diz combatente líbio

linkRefugiados sírios superam 200 mil, segundo a ONU

 

Conforme ativistas, cerca de 122 vítimas do ataque a Daraya, a 6 quilômetros do centro de Damasco, foram mortas por disparos a curta distância. "Muitas delas estavam algemadas", disse Abu Kinan, ativista em Daraya. "Podemos afirmar que houve uma execução em massa". Pelo menos quatro crianças estão entre as vítimas.

Fim da missão

 

O relato da matança foi divulgado enquanto o chefe da equipe de observadores da ONU na Síria, general Babacar Gaye, deixava o país, encerrando a conturbada missão iniciada em abril. No início deste mês, a ONU nomeou Lakhdar Brahimi como novo enviado especial à Síria, encarregado de intermediar o fim do conflito - perspectiva cada vez mais improvável porque os combatentes intensificaram os ataques e seus patronos internacionais não chegam a um acordo.

O vice-chanceler britânico, Alistair Burt, afirmou que o massacre põe o nível de atrocidade "em uma nova escala". "As tropas mataram a sangue-frio", afirmou Abu Ahmad, um morador de Daraya. Ahmad relatou ter visto dezenas de pessoas mortas a golpes de baionetas ou tiros de fuzis Kalashnikov. "O regime matou famílias inteiras, pais, mães e seus filhos. Eles simplesmente os mataram, sem motivo", disse. Moradores relataram que o exército sírio isolou a região antes de agir, impedindo que civis fugissem. Após bloquearem todas as saídas, as tropas começaram os ataques de artilharia e as invasões de casas. A operação militar começou na semana passada. Além dos bloqueios nas estradas, as tropas também cortaram a eletricidade e as conexões à internet. Horas depois de as imagens dos corpos surgirem ontem, Assad quebrou o silêncio de uma semana para dizer que "arrasará a qualquer preço o complô" na Síria.

Os ataques ao bairro aumentaram desde que os rebeldes começaram a se retirar da área a fim de proteger os civis, disseram militantes. Um vídeo postado na internet mostra fileiras de cadáveres, em geral homens, envolvidos em cobertores coloridos na mesquita Abu Suleiman al-Durani. Os mortos no templo, cerca de 150, teriam sido executados no sótão, onde se escondiam.

Uma mulher vestindo luto contou ontem que seu filho tentou sair da região na sexta-feira, mas foi impedido. "Eles disseram 'volte para sua cidade e morra lá'". O corpo dele estava na mesquita.

Ativistas temem que o número de mortos no massacre possa subir. De acordo com comitês locais de rebeldes, o total de detidos pelo regime na cidade chegou a 1.755, indicando que centenas ainda estão desaparecidos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.