Oposição síria participa pela 1ª vez de cúpula árabe

Representantes da oposição síria ocuparam uma cadeira do país pela primeira vez em uma cúpula da Liga Árabe, que começou no Qatar na terça-feira, em um impulso diplomático significante para as forças que combatem o regime do presidente Bashar Assad.

Agência Estado

26 de março de 2013 | 12h09

Em uma cerimônia de entrada, acompanhada por aplausos, uma delegação liderada por Mouaz al-Khatib, o ex-presidente de uma importante aliança opositora - a Coaliação Nacional Síria -, apoiada pelo Ocidente, sentou nos lugares atribuídos para a Síria a convite do emir do Catar, o xeque Hamad bin Khalifa Al Thani.

Al-Khatib usou o fórum para pedir por um papel maior dos EUA na ajuda aos rebeldes. Ele disse que pediu ao secretário de Estado dos EUA, John Kerry, para considerar o uso do sistema de mísseis Patriot da Otan na Turquia para ajudar a defender o norte da Síria contra ataques das forças de Assad.

A decisão para que a oposição ocupasse a cadeira da Síria na cúpula foi tomada devido a uma recomendação feita pelos ministros das Relações Exteriores árabes no começo da semana em Doha, capital do Qatar. A Liga Árabe suspendeu em 2011 a adesão do governo sírio na organização como punição pela repressão do regime contra seus oponentes.

O governo do Qatar, que preside a cúpula, afirmou que a oposição síria merece "essa representação devido a legitimidade popular que conquistou em casa, o amplo apoio obtido no exterior e o papel histórico que assumiu na liderança da revolução e preparação para a construção de uma nova Síria".

O triunfo diplomático e o louvor do Qatar não conseguiram, no entanto, esconder a desordem dentro dos altos escalões da oposição síria.

Além de Al-Khatib, a delegação síria incluiu Ghassan Hitto, eleito recentemente primeiro-ministro de um governo interino para administrar planejadas áreas controladas pelos rebeldes na Síria, e duas figuras proeminentes da oposição, George Sabra e Suheir Atassi.

A caminho do encontro, Al-Khatib agradeceu à Liga Árabe pela concessão do assento para a oposição. "É parte da restauração de legitimidade que foi roubada do povo da Síria." Al-Khatib lamentou a falta de ação de vários governos estrangeiros, que ele não nomeou, em relação à crise síria e falou emocionalmente do sofrimento dos civis em seu país.

Ele também defendeu a presença na Síria de jihadistas estrangeiros, dizendo que os militantes estavam lá para ajudar a defender um povo sob ataque.

A imprensa estatal da Síria disse nesta terça-feira que ataques a duas áreas de Damasco deixaram uma menina morta e feriram várias pessoas, enquanto forças que lutam contra o regime afirmaram que tropas do governo tomaram o controle de um bairro da cidade central de Homs, que é considerado um símbolo de oposição ao regime do presidente Bashar Assad. As informações são da Associated Press.

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