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Oposição síria pede intervenção da ONU contra armas químicas de Assad

Após EUA dizerem que há evidências de uso de arsenal proibido, CNS pressiona por ação

O Estado de S. Paulo

26 de abril de 2013 | 09h45

(Atualizada às 11h11) DAMASCO  - A Coalizão Nacional Síria (CNS), entidade que agrega os principais grupos de oposição a Bashar Assad, pediu nesta sexta-feira,26, uma rápida intervenção internacional para interromper o uso de armas químicas por parte do regime. Ontem o secretário de Defesa americano, Chuck Hagel disse haver indícios da utilização desse arsenal contra a população civil.

Em comunicado, o CNS afirmou que Damasco deve entender que, tal como disseram a ONU, os EUA e outros países, o emprego de armas químicas é uma fronteira cujo cruzamento terá resultados graves. "Se não forem tomadas medidas rápidas, o regime de Assad verá como um sinal de aceitação internacional ao uso de armas químicas", informou o grupo.

Segundo a entidade, nas últimas semanas habitantes de Alepo, Homs e da periferia de Damasco foram atacadas com armas químicas. Por isso, exigiu à ONU e aos membros permanentes do Conselho de Segurança que "ajam com urgência". Para o CNS, além de declarações, é necessário "uma ação real" - na prática, uma intervenção.

"A ONU deve ouvir os gritos do povo sírio de uma vez por todas e a Rússia tem de deixar de intervir, permitindo que o Conselho de Segurança cumpra seus deveres de manutenção da paz e da segurança", diz o texto.

Ontem, o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, indicou que os serviços de inteligência haviam detectado o uso de armas químicas por parte do regime de Assad, especialmente gás sarin.

No entanto, pouco depois a Casa Branca informou que as "avaliações de inteligência" sobre o uso de armas químicas na Síria ainda não são "suficientes", e assinalou que são necessários "fatos críveis e confirmados" para tomar decisões.

Negativa. O regime sírio, por sua vez, sempre negou o uso de armas químicas contra seu povo e até mesmo a existência dessas armas na Síria. Duas autoridades sírias negaram nesta sexta-feira que o governo tenha usado armas químicas contra forças rebeldes, afirmando que o regime não tem necessidade de usá-las.

Um dos funcionários do governo sírio disse que o governo não usou nem vai usar armas químicas, mesmo se tivesse esse tipo de armamento. Ele falou com a Associated Press em condição de anonimato, porque não tem autorização para dar declarações oficiais.

Já o deputado do Parlamento sírio Sharif Shehadeh considerou as afirmações dos Estados Unidos como "mentiras" e disse que são como as falsas acusações de que o Iraque possuía armas de destruição em massa antes da invasão norte-americana ao país.

Reação. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, considerou extremamente sério o uso de armas químicas na Síria, mas ressaltou que a resposta deverá ser feita de maneira política em vez de militar.

"Isso é extremamente sério. E eu acho que a fala do presidente Obama estava absolutamente certa, de que isso deve" ser um limite para a comunidade internacional de modo que nos esforcemos mais, disse Cameron à BBC. "Na minha opinião, o que precisamos fazer - e já estamos fazendo uma parte disso - é formar a oposição, trabalhar com eles, treiná-los, orientá-las, ajudá-los para pressionar o regime e colocar um fim nisso".

Perguntado se isso significaria colocar tropas britânicas em solo sírio, Cameron disse: "Eu não quero ver isso e eu não acho que é provável que isso aconteça". "Mas creio que nós podemos intensificar a pressão sobre o regime, trabalhar com os nossos parceiros, trabalhar com a oposição, a fim de trazer um resultado certo." / EFE e AP

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