Oposição Síria prega boicote à eleição parlamentar

Líderes da oposição Síria disseram neste domingo que as eleições parlamentares marcadas para esta segunda-feira são uma tentativa cínica do presidente Bashar Assad de se manter no poder e pedir aos eleitores que boicotem o pleito.

AE-AP, Agência Estado

06 Maio 2012 | 11h16

O regime de Assad tem promovido as eleições para renovar o Parlamento de 250 cadeiras como um sinal de sua vontade de realizar reformas democráticas, ao mesmo tempo em que nega estar enfrentando um levante popular.

A votação desta segunda-feira ocorre três meses depois da adoção de uma nova Constituição, que autoriza a formação de partidos políticos para competirem com o governista Baath.

Os opositores afirmam, no entanto, que reformas sem sua contribuição são uma farsa e que eleições não podem ser realizadas sob a ameaça de armas. Um acordo de cessar-fogo que entrou em vigor na Síria em meados de abril, após mediação da ONU, falhou em conter a brutal repressão do regime ao movimento popular antigoverno que teve início em março do ano passado.

"Achamos que as eleições não têm qualquer credibilidade no meio de uma situação em que o regime está matando a população", falou de Paris Bassma Kodmani, uma porta-voz do Conselho Nacional Sírio, o principal grupo de oposição no exílio. "É um insulto ao processo democrático."

O líder oposicionista Haytham Manna, por sua vez, disse ser contra a votação "porque ela não tem características de uma eleição livre". Manna, que fez a declaração de Bruxelas, comanda o Comitê Nacional de Coordenação para Mudança Democrática, que representa ativistas na Síria e no exílio.

A ONU estima que mais de 9 mil pessoas tenham sido mortas na onda de violência que tomou a Síria desde o início do levante.

Turquia

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, vai se reunir neste domingo com refugiados sírios pela primeira vez desde que seu país abriu as portas para milhares de ativistas que fugiram do país vizinho desde o início da repressão do governo sírio ao movimento dissidente. O encontro vai ocorrer na região de fronteira entre os dois países.

Estima-se que, desde o ano passado, 23 mil sírios tenham escapado da violência em seu país para se refugiar na Turquia. As informações são da Associated Press.

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