Oposição síria volta a defender zona de exclusão aérea

O chefe do principal grupo de oposição da Síria defendeu, do exílio, neste domingo a imposição de zona de exclusão aérea nas regiões de fronteira para proteger civis sírios que convivem com ataques cada vez mais intensos de aviões e helicópteros do regime. O presidente do Conselho Nacional Sírio, Abdelbaset Sieda, destacou que um movimento desse tipo da comunidade internacional mostraria ao governo de Bashar Assad a força da oposição que o regime desperta pelo mundo.

AE, Agência Estado

12 de agosto de 2012 | 16h26

A oposição síria vem clamando por uma zona de exclusão aérea na Síria há meses. Mas Sieda renovou o apelo um dia depois que a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse que Washington e Turquia estão discutindo uma série de medidas, incluindo a zona de exclusão área em partes da Síria, porque o regime usa cada vez mais a Força Aérea para atacar os rebeldes.

"Deve haver proteção especial", disse Sieda, por telefone. "Se o país continua desse jeito, então estamos caminhando para uma catástrofe." Questionado sobre quem iria impor a zona de exclusão aérea, Sieda afirmou: "deixamos para a comunidade internacional".

A guerra civil da Síria se espalhou para quase todas as províncias do país e o número de mortes aumentou nas últimas semanas. Ativistas disseram que mais de 20 mil pessoas foram mortas desde o começo da revolta contra o governo de Assad, em março de 2011.

Mais cedo, o secretário-geral adjunto da Liga Árabe, Ahmed Ben Helli, informou a repórteres na sede do grupo, no Cairo, que os ministros árabes decidiram adiar uma reunião sobre o conflito sírio que seria realizada na Arábia Saudita hoje. Os ministros se reuniriam na cidade de Jeddah para discutir as próximas ações ante o conflito depois da renúncia do mediador internacional para a Síria, Kofi Annan, e um nome para sucedê-lo. A reunião foi "adiada para uma data posterior", destacou Helli.

Confrontos

Ativistas relataram mais confrontos este domingo em Damasco, Alepo, Homs e Daraa. O grupo ativista Observatório de Direitos Humanos da Síria disse que não tinha informações sobre vítimas.

Também neste domingo a agência de notícias estatal síria Sana e a rede de televisão árabe Al-Arabiya informaram que dois jornalistas sírios foram mortos na capital Damasco. Ambos os repórteres morreram ontem.

A Sana afirmou que um dos seus repórteres, Ali Abbas, foi morto na casa onde morava em Damasco. Conforme a reportagem, "um grupo terrorista armado" (termo utilizado pelo regime para os rebeldes) teria sido responsável pelo crime. Não foram informados outros detalhes.

Já a Al-Arabya destacou que o sírio Bara''a Yusuf al-Bushi, um desertor do exército da Síria que trabalhava como freelancer para a rede e outras corporações de mídia internacionais, foi morto em um ataque a bomba enquanto fazia uma reportagem em al-Tal, subúrbio do norte de Damasco.

No sábado, dois ataques a bomba em Damasco causaram confusão em áreas da capital síria, que antes era um marco simbólico da resistência contra Assad. Uma das explosões, de um mecanismo plantado embaixo de uma árvore, foi disparada por controle remoto quando um veículo transportando soldados passou pelo distrito de Marjeh. A explosão ocorreu há cerca de 100 jardas (91,4 metros) do Hotel Four Seasons, uma das opções de hospedagem de luxo em Damasco.

Depois da explosão, homens armados abriram fogo contra civis para "provocar pânico", segundo a agência de notícias estatal. Ao mesmo tempo, uma segunda explosão ocorreu perto do estádio Tishrin, a menos de uma milha (1,6 quilômetros) de distância da primeira, destacou a Sana.

Horas mais tarde, um ônibus teria sido atacado em um subúrbio de Damasco, matando seis passageiros que vinham da província de Hama, no centro do país. As informações são da Associated Press.

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