Oposição suspende a greve geral, após mais de dois meses

A oposição venezuelana decidiu suspender hoje à noite a greve geral que mantém há dois meses para exigir a renúncia do presidente Hugo Chávez. ?Anunciaremos amanhã (hoje) uma nova etapa de nosso movimento, com a reativação econômica dos setores ligados a comércio, indústria, educação e serviços?, declarou Jesús Torrealba, porta-voz da Coordenação Democrática (CD), que congrega entidades empresariais e de trabalhadores que fazem oposição a Chávez.Torrealba ressalvou, no entanto, que trabalhadores grevistas do setor petrolífero ? motor da economia do país, quinto maior exportador mundial de petróleo ? se manterão paralisados. Agora, a principal reivindicação dos grevistas da estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) é a readmissão de 5 mil gerentes demitidos por Chávez. ?A luta dos trabalhadores da empresa vai além da readmissão da gerência. Ela abrange também o esforço para conter as ambições políticas do governo sobre a PDVSA. Desde seu início, em 2 de dezembro, a greve convocada pela oposição sempre teve um alcance parcial. Mas a paralisação na PDVSA fez a produção petrolífera baixar dos 2,8 barris diários em média para 300 mil barris. Nas últimas semanas, com a substituição de parte dos grevistas por militares, a produção vem se recuperando e, segundo estimativas do governo, deve alcançar a marca de 1,5 milhão de barris por dia. Ontem, fontes da PDVSA anunciaram que militares aboradaram e tomaram o controle do navio Guanoco, o último dos petroleiros ancorados por causa da adesão da tripulação à greve.Torrealba afirmou que a decisão de suspender a greve geral se deve à consolidação de uma mesa de negociação ? mediada pelo secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), César Gaviria ? e da criação do grupo de países amigos. ?Acreditamos que, com a criação do grupo e a abertura de canais de negociação, a greve geral nacional atingiu os objetivos aos quais se propunha, e o protesto passa agora a uma nova etapa?, declarou, acrescentando que, a partir de amanhã, as mobilizações nacionais contra o governo devem ?ganhar mais ímpeto?.O grupo Amigos para a Venezuela ? coordenado pelo Brasil e integrado também por EUA, Chile, México, Espanha e Portugal ? tem como objetivo baixar o tom de confrontação entre o governo e a oposição do país e restaurar a confiança entre as partes para que cheguem a um acordo na mesa de diálogo. As negociações mediadas por Gaviria tiveram início em outubro, mas só agora os dois lados podem discutir uma proposta concreta de saída pacífica para a crise, apresentada pelo ex-presidente americano, Jimmy Carter. Ela prevê a abertura de um processo de reforma constitucional, que reduziria o atual mandato de Chávez e possibilitaria a antecipação de eleições.A oposição realiza hoje em todo o país um movimento de coleta de assinaturas pedindo eleições. A mobilização substitui um referendo consultivo sobre a permanência de Chávez na presidência, cancelado depois que o Supremo Tribunal de Justiça o considerou inconstitucional.Os sinais de que a crise política podem desencadear um conflito violento aumentaram ontem. Mulheres de um até então desconhecido grupo armado autodenomidado Carapaicas expressaram, da clandestinidade, apoio a Chávez e oposição ao esforço para reduzir seu mandato.

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