Oposição suspende comício no Quênia após conflitos

O procurador-geral do Quênia requisitouna quinta-feira a realização de uma investigação independentesobre o recente pleito no país depois de um dia de conflitos emNairóbi entre a polícia e manifestantes contrários à reeleiçãodo presidente Mwai Kibaki. A oposição cancelou um comício que aconteceria em um parquedo centro da cidade afirmando desejar proteger vidas. A decisãofoi anunciada após um dia durante o qual a polícia deu tirospara o alto e fumaça subia das favelas da cidade. Mas os opositores ao governo marcaram um outro eventopúblico para a próxima terça-feira. Aumentando as pressões sobre Kibaki, o procurador-geralAmos Wako afirmou em um comunicado: "É necessário que umacontagem adequada dos certificados válidos devolvidos econfirmados seja realizada imediatamente e com prioridade poruma pessoa ou órgão independente e de consenso". A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, e o chefede política externa da União Européia, Javier Solana, pediramaos partidos rivais que busquem um governo de coalizão,informou uma porta-voz da UE após conversa por telefone entreos dois. Depois de as ações terem sofrido uma baixa na quarta-feira,a Bolsa de Valores de Nairóbi deixou de realizar seu pregão naquinta-feira, devido à situação caótica. O xelim queniano, quesofreu uma desvalorização de 5 por cento em relação ao dólar nodia anterior, caiu mais 1,3 por cento antes da paralisação dosnegócios. As vendas de chá e de café foram adiadas. Desde o amanhecer, policiais antimotim circulavam armadospelas ruas de Nairóbi enquanto a cidade transformava-selentamente num campo de batalhas. "Isto passou a ser uma ditadura", gritou o manifestanteJulius Akech, no mais recente surto de violência a atingir opaís depois de uma semana de conflitos tribais e políticosresponsáveis por matar mais de 300 quenianos. Líderes da oposição desafiaram a polícia e partiram de suasbases para o comício organizado contra Kibaki, que continua nopoder no Quênia, a maior economia da África Oriental e umaliado do Ocidente em seus esforços para enfrentar a Al Qaeda. Milhares saíram da favela Kibera, pró-oposição, e de outrasfavelas após o amanhecer a fim de se dirigirem para o parque deNairóbi chamado Uhuru, ou parque da Liberdade, em suaíli, paraa manifestação proibida pelo governo de Kibaki e que deveriareunir 1 milhão de pessoas. Quando eram parados pela polícia antimotim, algunsmanifestantes -- usando lenços brancos, acenando com folhas ecantando o hino nacional -- sentavam-se nas ruas, bloqueando otráfego. À medida que os ânimos se exaltavam, os manifestantespassaram a queimar carros e casas. A polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água. Edisparou para o alto quando, em um dos casos, a multidãoajoelhou-se e gritou: "Matem-nos todos". Os episódios diários de violência deixaram os líderesmundiais chocados e sufocaram o fornecimento de combustível eoutros produtos para uma grande área da região central daÁfrica. A onda de instabilidade deve afetar o turismo, a maiorfonte de faturamento do Quênia e que rende ao país cerca de 800milhões de dólares ao ano. Os membros da etnia kikuyu, que tradicionalmente domina apolítica e a economia do país, foram os únicos alvos nosconflitos iniciais. Mas os assassinatos alimentados pelosentimento de vingança -- incluindo alguns cometidos pelagangue kikuyu Mungiki -- tornam-se mais comuns. (Reportagem adicional de Katie Nguyen, HelenNyambura-Mwaura, George Obulutsa, Joseph Sudah, Wangui Kanina,Duncan Miriri, Bryson Hull; Guled Mohamed em Kisumu; Tim Cocksem Eldoret)

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