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Oposição tacha Sarkozy de negligente

Críticos do presidente dizem que atentados de Toulouse poderiam ter sido evitados se governo não demorasse em identificar suspeito

ANDREI NETTO , ENVIADO ESPECIAL / TOULOUSE, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2012 | 03h02

A ação da polícia da França que resultou na morte do terrorista Mohamed Merah na quinta-feira, em Toulouse, provocou críticas ao governo de Nicolas Sarkozy. Líderes da oposição e especialistas em segurança antiterrorismo denunciaram supostos erros da investigação organizada pelo Ministério do Interior. Para os críticos, mortes poderiam ter sido evitadas se o serviço secreto interno não tivesse negligenciado a ameaça.

A polêmica em torno das supostas falhas da Direção Central de Informação Interior (DCRI, em francês) começou instantes após o assalto do esquadrão de elite da França ao apartamento em que Merah esteve cercado por 32 horas. Em entrevista, o ministro das Relações Exteriores, Alain Juppé, afirmou compreender "que possam questionar se houve uma falha ou não". A declaração de um alto membro do governo serviu como detonador para a controvérsia que se instalou no país.

Ainda na quinta, a candidata do movimento Europe Ecologie, a jurista Eva Joly, bateu no serviço secreto, que teria falhado na identificação do terrorista após os dois primeiros atentados, que fizeram três militares como vítimas. Na segunda-feira, ele matou três crianças e um professor numa escola judaica.

"A questão é como Mohamed Merah escapou da vigilância de nosso serviço de inteligência interior", indagou, atacando Sarkozy: "Uma das explicações é que utilizaram esse serviço para outros fins que não a luta contra o terrorismo, como espionar jornalistas para o interesse pessoal do poder".

Abordagem. Ontem, as críticas passaram do meio político aos gabinetes de especialistas em espionagem e contraterrorismo. As principais queixas dizem respeito ao perfil de Merah, que despertava suspeitas até nos Estados Unidos, onde seu nome havia colocado na lista de pessoas proibidas de ingressar no país por suspeita de ligações com grupos extremistas islâmicos.

Além de uma carreira de pequenos delitos, o jovem muçulmano de 23 anos havia feito duas viagens ao Afeganistão e ao Paquistão, incluindo a uma região tribal conhecida por seus campos de treinamento. O governo afegão havia alertado a embaixada da França de que o jovem "poderia ter vínculos com redes terroristas ou com o Taleban".

Já o serviço secreto paquistanês o considerava "candidato potencial a jihadista". As Forças Armadas da França haviam negado o alistamento de Merah por considerar o seu perfil problemático.

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