Oposição taiuanesa é a favorita em eleições

Os protestos tibetanos e a reação chinesa caíram do céu para o candidato do PDP, Frank Hsieh

EFE,

22 de março de 2008 | 02h56

O candidato do opositor Partido Kuomintang (KMT), Ma Ying-jeou, sai como favorito para as eleições presidenciais que são chave para o futuro dos laços com a China e a economia da ilha. O KMT procura voltar ao poder e adotar políticas mais pragmáticas e menos beligerantes frente à China, após oito anos de Governos independentistas nos quais o nacionalismo sobressaiu sobre a economia. "Votem pela mudança e pela melhora da economia", pediu Ma aos 17,32 milhões de eleitores. Dois referendos sobre a entrada da ilha nas Nações Unidas acompanham estas eleições, realizadas sob a sombra dos protestos no Tibete, que serviram ao governante Partido Democrata Progressista (PDP) para reativar o patriotismo e ridicularizar a proposta opositora de um mercado comum com a China. "A repressão no Tibete mostra que a China não está disposta a renunciar ao uso da força e que seus tratados de paz, como o assinado com o Tibete em 1951, não servem para nada. Agora o Tibete a incomoda e o próximo alvo militar pode ser Taiwan", disse o presidente taiuanês, Chen Shui-bian, durante a campanha. Os protestos tibetanos e a reação chinesa caíram do céu para o candidato do PDP, Frank Hsieh, que baseou sua campanha em ataques ao patriotismo de Ma e a suas políticas de aproximação com a China. "O sentimento nacionalista taiuanês e a estagnação da economia nos últimos anos são os fatores de maior peso nestas eleições e o resultado depende do poder relativo destas duas forças", diz o professor Wu Ri-won, da Universidade Fujen. Os oito anos de Presidência do independentista Chen Shui-bian reforçaram a identidade taiuanesa frente à China e consolidaram uma potente força independentista, que consiste em um terço do eleitorado e está afinada com o opositor Partido Kuomintang, partidário de uma futura união com a China. "A convergência dos dois candidatos para posturas moderadas mostra a importância dos eleitores não comprometidos", diz a economista Isabel R. F. Liu. Ma Ying-jeou, filho de um político nacionalista chinês vindo da ilha em 1949, prometeu manter a atual situação de independência de fato e não negociar a união com a China, durante seu mandato, nem declarar a independência. "A China não tem direito de interferir em nossos assuntos, só os 23 milhões de cidadãos da República da China (Taiwan) têm direito a decidir seu futuro", declarou Ma. Hsieh também moderou a postura de seu partido contra o estreitamento de laços econômicos e sociais com a China, e prometeu liberalizar o transporte, comércio e investimentos. "Liberalizarei os laços com a China sem perder soberania", disse Hsieh, que defende "a reconciliação e coexistência" com a China e a oposição. Quem quer que vença, Taiwan porá fim à postura nacionalista radical do atual presidente, Chen Shui-bian, o que aliviará sem eliminar de todo as tensões com Pequim, e reorientará o desenvolvimento econômico da ilha ao integrá-la com a China.

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