Oposição tem esmagadora vitória em eleições no Paquistão

Ex-premiê pede por união política para acabar com o regime do presidente; governo admite derrota nas urnas

Associated Press e Efe,

19 de fevereiro de 2008 | 10h34

Partidos oposicionistas garantiram uma esmagadora derrota aos aliados do presidente Pervez Musharraf nas eleições parlamentares do Paquistão, conquistando cadeiras suficientes para formar um novo governo que poderia colocar em risco o regime de oito anos do principal aliado dos Estados Unidos em sua guerra contra o terrorismo. Os resultados finais só devem ser anunciados no final da noite desta terça-feira, 19, mas os números preliminares colocam em dúvida a sobrevivência política de Musharraf, cujo apoio a políticas repressivas dos EUA fizeram sua popularidade despencar. Sua situação piorou quando impôs no fim do ano passado um estado de emergência, fez expurgos no judiciário, encarcerou opositores e restringiu a liberdade de expressão. O ex-primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif, cujo partido, a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), aparece como segunda força no Parlamento do país após as eleições desta segunda-feira, pediu pela união das forças políticas do país para acabar com o regime do presidente Pervez Musharraf. Sharif disse ainda que Musharraf tem de deixar a presidência, lembrando que o presidente dizia que renunciaria quando o povo "quisesse". "E agora o povo deu seu veredicto," julgou. Chaudhry Shujaat Hussain, líder do partido governista Liga Muçulmana do Paquistão-Q, reconheceu a derrota. "Aceitamos os resultados com o coração aberto" e "vamos nos sentar na bancada da oposição" no novo parlamento. A tevê privada Geo anunciou que o Partido Popular do Paquistão (PPP), da ex-premiê assassinada Benazir Bhutto, já tinha conquistado 85 das 272 cadeiras da Assembléia Nacional. A Liga Muçulmana do Paquistão-N, de Nawaz Sharif, tinha 65 cadeiras. A LMP-Q, de Musharraf, apenas 36. Vários líderes do partido e antigos ministros não conseguiram seEleger. "Todos os homens do rei se foram!" proclamou em manchete o jornal Daily Times. "Pesos pesados nocauteados", anunciou o diário Dawn. Musharraf vinha prometendo trabalhar com qualquer governo que saísse das urnas. Mas o ex-general é imensamente impopular entre o público, e os partidos de oposição catapultados ao poder devem ter pouco apetite para trabalhar com ele - particularmente porque ele não mais controla o poderoso Exército. Sharif tem particularmente defendido a saída de Musharraf e o retorno dos juízes da Suprema Corte afastados pelo presidente. Os juízes perderam o cargo no momento em que julgavam se a reeleição de Musharraf em outubro era constitucional.  Com o apoio de pequenos partidos e candidatos independentes, a oposição pode formar a maioria de dois terços necessária para aprovar o impeachment de Musharraf, que aliou-se aos EUA em 2001 na luta contra a Al-Qaeda e o Taleban depois dos atentados terroristas de 11 de setembro em Nova York e Washington.

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