Oposição tem maior fragmentação da história

Segundo historiador, a política argentina sempre alternou polarização com partidos fortes e breve período de aliança

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2012 | 02h06

Morenistas versus Saavedristas; Unitários versus Federalistas; Radicais versus Conservadores; Radicais versus peronistas. Durante 190 anos de vida independente, a Argentina sempre contou com partidos de situação e de oposição fortes.

O bipartidarismo imperou quase sempre no país, com raros momentos de presença de uma terceira força com relativo peso, tal como ocorreu durante os anos 80, após a volta da democracia, quando a União de Centro Democrática (Ucedé), de centro-direita, tornou-se o fiel da balança entre a União Cívica Radical (UCR) e o Partido Justicialista (peronista).

Nos anos 90 foi a vez de uma nova terceira força, a Frente País Solidário (Frepaso), de centro-esquerda, que despontou como alternativa de poder.

Coalizão. Em 1997 a Frepaso e a União Cívica Radical fizeram uma inédita coalizão de sucesso pela primeira vez na História da Argentina, vencendo duas eleições (parlamentares de 1997 e presidenciais de 1999).

Mas o sucesso dessa coalizão foi breve, já que a aliança UCR-Frepaso naufragou na crise de 2001, quando seu representante, o presidente Fernando De la Rúa, renunciou em meio ao caos e uma série de protestos e motins. O descontentamento popular foi motivado por uma terrível crise financeira que afetou a Argentina. A crise arrasou a maior parte do prestígio da UCR e eliminou do mapa a Frepaso.

"Nunca antes houve uma fragmentação da oposição como agora. A marca havia sido sempre a de uma polarização, com partidos fortes", disse ao Estado o historiador argentino Luis Alberto Romero.

O cenário de fragmentação sem precedentes começou com a crise financeira e política de 2001-2002, afirma o analista político Fabián Bosoer. / A.P.

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