Oposição teme que revés faça governo acelerar reformas

Hugo Chávez deixou claro em suas declarações, na noite de ontem, que não viu vitória da oposição nas eleições da véspera. "São a nova maioria nacional? Venham por mim. Convoquem um novo referendo revogatório", desafiou. "Por que vão esperar dois anos? Venham agora, todos os cargos eletivos na Venezuela são revogáveis."

Cenário: Roberto Lameirinhas, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2010 | 00h00

Diante da reação de Chávez e de sua conhecida pouca disposição para o diálogo político, os opositores passaram a manifestar o receio de que o governo acelere, nos próximos meses, a aprovação de medidas mais radicais - que ampliem ainda mais os poderes do Executivo - na Assembleia Nacional. Os deputados eleitos no domingo só tomarão posse em janeiro. "É preciso estar atento", declarou Abelardo Díaz, parlamentar eleito por Táchira. "O governo não pode fechar os olhos para o que ocorreu aqui no domingo e usar a atual Assembleia para fazer o que não poderá fazer a partir de 5 de janeiro."

 

 

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Chávez lembrou, na entrevista de ontem, que a atual Assembleia é "legitima até o fim do mandato" e citou a posse presidencial no Brasil. "No dia 1º, haverá a posse de Dilma Rousseff em Brasília - preciso aprender a pronunciar corretamente esse sobrenome. Depois de quatro dias, eles assumem."

"Chávez é hoje uma fera acuada e, nessas condições, é ainda mais imprevisível", disse ao Estado um diplomata radicado em Caracas, sob a condição de anonimato. "Ainda é cedo para saber se esse grupo opositor, que é muito heterogêneo e tem interesses divergentes, se manterá unido até as eleições de 2012. Mas nunca estiveram tão próximos de derrotar o governo, ainda que em condições desfavoráveis."

Os opositores ressaltam o quanto o governo chavista jogou pesado para garantir a vitória nas eleições de domingo. Além da mudança do mapa eleitoral - que assegurou ao PSUV, partido do presidente, a maior bancada -, Chávez pôs toda a máquina do Estado em favor de seus candidatos.

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