AFP PHOTO / MANDEL NGAN
AFP PHOTO / MANDEL NGAN

Oposição tenta barrar saída do país da OEA

Parlamentares afirmaram que essa medida não poderia ter sido tomada sem avaliação prévia do Legislativo

Felipe Corazza, Enviado Especial / Caracas , O Estado de S. Paulo

28 Abril 2017 | 05h00

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), que controla a Assembleia Nacional (AN) da Venezuela, tentará reverter a decisão do Executivo de abandonar a Organização dos Estados Americanos (OEA), anunciada na quarta-feira pela ministra das Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez. Os parlamentares afirmaram que essa medida não poderia ter sido tomada sem avaliação prévia do Legislativo.

Ontem, a MUD reuniu em um ginásio de Caracas milhares de apoiadores para realizar uma “sessão aberta” da AN. O presidente da Casa, deputado Julio Borges, pediu ajuda à OEA, ao Mercosul, à ONU e à Unasul para combater o que descreveu como uma ruptura da ordem constitucional venezuelana por parte do governo do presidente Nicolás Maduro. 

A oposição quer a realização de eleições antecipadas no país e uma série de protestos tem ocorrido desde que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) tentou anular os poderes do Legislativo, em uma sentença proferida no fim de março e anulada horas depois. O TSJ é acusado pelos opositores de ser simpático aos chavistas.

O deputado Richard Blanco, eleito por Caracas com a maior votação entre os opositores, afirmou que o anúncio feito por Delcy sobre a OEA não tem validade. “A chanceler deve saber que se deve esperar dois anos para que se confirme a saída de nosso país de um organismo tão importante quanto esse.” Blanco afirmou que a maioria opositora da Assembleia Nacional vai trabalhar para “fazer valer todos os tratados e acordos internacionais”, incluída aí a filiação à OEA.

“O que ela (Delcy) não sabe, ou se faz de louca, é que a Organização dos Estados Americanos está muito atenta ao que está ocorrendo em nosso país, onde violam os direitos humanos, onde matam gente, onde atiram bombas de lacrimogêneo em um centro de saúde pública”, afirmou à imprensa minutos antes do início do evento.

Pela primeira vez em quase duas semanas, um ato da oposição terminou sem confronto com a Guarda Nacional Bolivariana. Realizado em um edifício desportivo dentro do Parque Miranda, o evento foi vigiado apenas por homens da polícia estadual. Apesar de fazer parte da área metropolitana de Caracas, a região onde fica o parque integra o Estado de Miranda, governado pelo opositor Henrique Capriles. 

Mais conteúdo sobre:
VenezuelaOEADelcy Rodríguez

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.