Manaure Quintero/Efe
Manaure Quintero/Efe

Oposição tenta convencer eleitor a votar sem medo

Aliança que apoia Capriles diz a indecisos que governo não poderá punir quem votar contra Chávez

Roberto Lameirinhas, enviado especial a Caracas,

04 de outubro de 2012 | 20h37

CARACAS - O candidato opositor à presidência da Venezuela na eleição de domingo, Henrique Capriles Radonski, encerrou nesta quinta-feira, 4, sua campanha com dois comícios gigantescos nos Estados Apure e Lara, no oeste do país, afirmando que, após a votação, "os venezuelanos não serão obrigados a vestir uma camiseta vermelha para ter acesso aos seus direitos". Capriles se referia às denúncias da oposição de que o governo de Hugo Chávez obrigou funcionários públicos a participar de seu ato de encerramento de campanha, em Caracas.

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"Aqui, não precisamos obrigar pessoas a assistir aos nossos discursos", declarou Capriles diante de uma multidão em Apure. "Eles são forçados a ir, mas sabem em quem votar."

Distantes da multidão das ruas, dirigentes da Mesa da Unidade Democrática (MUD) preocupavam-se em esclarecer eleitores de que o sigilo do voto está garantido. A aliança de partidos que apoia a candidatura de Capriles teme que os eleitores optem por Chávez para não sofrer represálias por parte do governo, diante da possibilidade de a urna eletrônica oferecer o recurso de identificação do eleitor.

"Não há nenhuma possibilidade de o voto ser identificado", afirmou o secretário-geral da MUD, Ramón Guillermo Aveledo. "Votemos com consciência e sem temores", disse.

Outro dirigente da MUD, Henry Ramos Allup, voltou a atacar o ministro da Defesa, general Henry Rangel, que na segunda-feira criticou o anúncio de Capriles de que nomearia um militar da ativa para a pasta. "Nunca ocorreu na Venezuela que um homem de farda - perjurando, atropelando e abusando de sua condição - dissesse o que disse o ministro da Defesa", afirmou.

Rangel tinha afirmado que nenhum militar da ativa aceitaria ser ministro de um eventual governo de Capriles.

"O candidato não cometeu nenhum delito. Teria cometido um delito se afirmasse que nomearia um cubano, um iraniano ou um chinês para o ministério", ironizou o opositor, referindo-se ao fato de Chávez ter nomeado oficiais cubanos para postos importantes do comando militar venezuelano.

"O G-2 (serviço secreto cubano) não tem sido um bom informante", prosseguiu Ramos Allup. "Aparentemente, o governo desconhece o que realmente está acontecendo nas Forças Armadas", disse. 

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