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Oposição tenta convencer Peres a ser candidato em Israel

Atual presidente já foi primeiro-ministro do país em duas ocasiões e dividiu prêmio Nobel da Paz com Yasser Arafat

AE, Agência Estado

05 de novembro de 2012 | 16h13

TEL-AVIV - As perspectivas negativas para a oposição israelense nas eleições antecipadas, que deverão ocorrer em janeiro de 2013, aumentam as especulações de que o presidente Shimon Peres, de 89 anos, poderá ser convencido a concorrer ao cargo de primeiro-ministro. Peres foi primeiro-ministro de Israel por duas vezes, entre 1984 e 1985 e depois entre 1995 e 1996.

Em 1994, Peres ganhou e dividiu com o falecido líder palestino Yasser Arafat (morto em 2005) o prêmio Nobel da Paz. Peres é atualmente, como presidente de Israel, o chefe de Estado mais idoso do mundo. Ele está sob pressão de aliados para se candidatar, mas até agora não foi convencido, dizem as fontes.

A esperança da candidatura de Peres, que foi um líder trabalhista, é um "ato de desespero" da oposição de Israel, afirma o analista político Avraham Diskin. "Isso mostra que existe um vácuo enorme no espectro político centrista. O centro e a esquerda de Israel são incapazes de juntar forças, então buscam milagres."

O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, do Likud (direita), além de liderar as pesquisas de intenção de voto, já fechou uma aliança com a extrema direita, ao juntar forças com o partido Yisrael Beitenu, de Avigdor Lieberman, que foi seu ministro das Relações Exteriores. Ao concorrerem em chapa única, Likud e Yisrael Beitenu devem conquistar mais de 40 cadeiras no Parlamento de 120.

Com isso serão capazes de formar uma nova coalizão de governo e eleger Netanyahu premiê, porque as outras menos de 80 cadeiras deverão ficar fracionadas entre o Partido Kadima (centro) e vários partidos de centro e esquerda.

A aliança de Netanyahu com Lieberman parece ter acordado os centristas e a esquerda israelense. Uma pesquisa de intenção de voto mostrou que uma coligação entre os trabalhistas (centro-esquerda), o Kadima e os partidos independentes poderia enfrentar o bloco de Netanyahu, ao eleger 59 parlamentares, mas para isso precisaria atrair os partidos pequenos que representam os árabes israelenses. A pesquisa, feita pelo instituto Dahar, entrevistou 500 pessoas e tem margem de erro de 3,8 pontos porcentuais.

Durante as últimas semanas, vários políticos centristas, bem como militares da reserva, pediram a Peres que renuncie à presidência (ele ainda tem dois anos de mandato) e lidere uma coligação de centro-esquerda contra Netanyahu. A informação foi confirmada por um funcionário do escritório da presidência de Israel. Ele descreveu a pressão como "pesada", mas afirmou que o idoso presidente não pretende deixar o cargo.

"Peres é o único homem capaz de manter sob controle o ego dos políticos, da esquerda à extrema-direita religiosa de Israel. Ele é o único", resumiu o jornalista Eyal Megged, colunista do diário Haaretz. Além disso, se Peres for candidato e vencer, Israel poderia retomar um plano de paz viável com os palestinos, algo que não deverá ocorrer durante mais um governo de Netanyahu.

Com AP

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