Oposição toma o poder e promete eleições no Quirguistão

Distúrbios da quarta-feira deixaram ao menos 75 mortos e culminaram com a saída do presidente

estadão.com.br

08 de abril de 2010 | 09h27

 

BISHKEK - A líder da oposição do Quirguistão, Roza Otunbayeva, disse nesta quinta-feira, 8, que assumiu as responsabilidades do governo, o controle das Forças Armadas do país e que governaria interinamente por seis meses até realização de novas eleições. A nova líder disse ainda que "devolveria ao Estado" vários diversos ativos que haviam sido "ilegalmente privatizados".

 

Veja também:

linkPresidente do Quirguistão se recusa a renunciar

linkONU enviará representante ao país

linkSaiba mais sobre o Quirguistão

mais imagens Veja imagens dos conflitos em Bishkek 

 

A oposição tomou o controle das Forças Armadas do país, segundo o o ministro interino da Defesa. Além disso, Otunbayeva, prometeu eleições presidenciais no país em um prazo de seis meses. "O governo interino está no comando. Essa composição do sistema político funcionará durante seis meses, durante os quais uma nova Constituição será escrita e eleições presidenciais organizadas, de acordo com todas as normas democráticas", afirmou. Ex-ministra das Relações Exteriores, ela assumiu o poder após o presidente Kurmanbek Bakiyev fugir da capital, em meio a distúrbios.

 

O general Ismail Isakov, nomeado ministro da Defesa por Roza nesta quinta, disse que falou com os líderes militares e eles prometeram obediência ao novo governo. "O Exército está inteiramente ao nosso lado", afirmou ele. "Não houve qualquer problema", completou.

 

Otunbayeva ainda disse que reverteria as privatizações "injustas" feitas por Bakiyev. "Nós emitiremos um decreto para que tudo o que foi ilegalmente privatizado volte para as mãos do Estado", disse Otunbayeva em seu primeiro pronunciamento sobras as políticas do novo governo. Ela se referia a Severelectro e Vostokelectro, duas companhias de energia privatizadas pelo governo de Bakiyev

 

A líder da oposição assumiu a direção do governo na noite da quarta-feira com o apoio da população que derrubou o presidente quirguis depois de violentos conflitos na capital, Biskek, nos quais 75 pessoas morreram, segundo fontes oficiais. Durante uma conversa telefônica com o primeiro-ministro russo Vladimir Putin, Otunbayeva assegurou que a oposição controla "plenamente" a situação e as Forças Armadas.

 

Renúncia

 

Apesar das declarações de Otunbayeva de que o governo teria renunciado, o presidente Bakiyev veio a público para dizer que se recusou a aceitar a derrota após a oposição tomar a sede do governo em Bishkek e não renunciará ao cargo, conforme Roza havia dito anteriormente.

 

Bakiyev, falando à rádio russa Ekho Moskvy, acusou a oposição de tomar o poder ilegalmente pelo uso de armas e reconheceu que tinha pouca influência sobre os acontecimentos no país no atual momento.

 

Restauração da ordem

 

O autoproclamado chefe do Ministério do Interior do país, Bolot Sherniyazov, disse que autorizou as forças armadas a atirar em potenciais saqueadores nas ruas Bishkek. "Aprovei a ordem para as forças de segurança abrirem fogo contra saqueadores e arruaceiros para restaurar a ordem em Bishkek", disse. As ruas da capital foram tomadas por multidões de homens armados.

 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez um chamado urgente pelo diálogo pacífico para solucionar a crise do país e indicou que enviará um emissário especial ao Quirguistão na sexta-feira.

 

(Com informações da Efe e da AP)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.