Toby Melville / Reuters
Toby Melville / Reuters

Oposição trabalhista rompe negociações sobre o Brexit com o governo

Na quinta-feira, o próprio partido de Theresa May solicitou que ela se preparasse para renunciar a partir de junho

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2019 | 07h16

LONDRES - O líder da oposição trabalhista britânica, Jeremy Corbyn, anunciou nesta sexta-feira, 17, a ruptura das negociações com o governo da conservadora Theresa May, iniciadas em abril para buscar uma saída ao impasse do Brexit. As discussões "chegaram o mais longe possível" em razão da "crescente fraqueza e instabilidade" do Executivo, escreveu ele em uma carta à premiê. Na quinta-feira, o próprio partido de May solicitou que ela se preparasse para renunciar a partir de junho.

Corbyn escreve que à medida que o Partido Conservador caminha para a escolha de um novo líder. "A posição do governo tornou-se cada vez mais instável e sua autoridade foi corroída", minando a confiança na "capacidade do Executivo de chegar a um compromisso", disse ele. "Frequentemente, as propostas de sua equipe de negociação foram publicamente contraditas por declarações de outros membros do gabinete."

Essas negociações, iniciadas há um mês e meio por iniciativa de May, tinham como objetivo chegar a um acordo sobre o Brexit que pudesse reunir o apoio da maioria no Parlamento britânico, que desde janeiro rejeitou três vezes o texto assinado em novembro pela primeira-ministra com seus 27 parceiros europeus.

Saída de Theresa May

May prometeu aos conservadores mais eurocéticos que deixaria o cargo assim que conseguisse a aprovação do acordo negociado com Bruxelas. Ela chegou ao poder em 2016, após a renúncia de David Cameron em razão da vitória do Brexit no referendo. (Veja aqui os nomes que podem suceder a premiê.)

Os eurocéticos consideram que a primeira-ministra fez concessões inaceitáveis à União Europeia durante os dois anos de negociações e não querem que ela continue no comando para a segunda, e mais importante, etapa do Brexit: o acordo sobre a futura relação entre ambas as partes.

Nos últimos dias, ficou claro, contudo, que o acordo de May pode falhar novamente em uma quarta votação, marcada para o início de junho na Câmara dos Comuns. Temendo a permanência da premiê, os deputados conservadores pediram na quinta-feira que ela estabeleça uma data clara para sua partida, independentemente do resultado da votação parlamentar.

Depois dessa votação, explicou Graham Brady - responsável pela organização do grupo parlamentar conservador -, "ela e eu nos encontraremos novamente para chegar a um acordo sobre o cronograma para a eleição de um novo líder partidário". "E isso vai acontecer independentemente do resultado da nova votação", ressaltou ele.

"Os homens de cinza disseram a uma Theresa May com lágrimas nos olhos que seu tempo acabou", afirmou nesta sexta o jornal Daily Telegraph. "Na prática, isso significa que Theresa May partirá no fim de julho, o mais tardar, para permitir que o partido eleja um novo líder a tempo de sua Assembleia Geral em setembro", apontou a publicação, prevendo "uma luta" pelo poder que causará enormes divisões internas.

Enquanto May se reunia com Brady, o ex-ministro das Relações Exteriores Boris Johnson, um fervoroso defensor do Brexit e um dos principais rivais de May dentro de sua própria formação, anunciou publicamente que seria um candidato para o cargo de primeiro-ministro.

Após o referendo de junho de 2016, no qual 52% dos britânicos votaram a favor do Brexit, o Reino Unido deveria ter deixado a UE no dia 29 de março. A repetida rejeição do Parlamento ao acordo de divórcio com Bruxelas levou May a pedir um adiamento "flexível" do Brexit, até 31 de outubro. O país pode deixar o bloco mais cedo se encontrar uma solução para o bloqueio. / AFP e Reuters

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