Guillermo Suarez/Efe
Guillermo Suarez/Efe

Oposição usará nome de Capriles contra Chávez em eleição regional de dezembro

Segundo integrante da cúpula da aliança antichavista, estratégia é manter ícone da oposição em evidência

Roberto Lameirinhas, Enviado Especial a Caracas, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2012 | 03h02

CARACAS - O candidato derrotado na eleição presidencial de domingo na Venezuela, Henrique Capriles Radonski, tem o apoio da aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) para ser candidato em dezembro ao governo de Miranda - populoso Estado que abrange o Distrito Federal de Caracas -, informou ontem uma fonte da coligação. A estratégia é manter Capriles em evidência e a postos para nova eleição caso o presidente Hugo Chávez não termine o mandato.

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A nomeação de Capriles é o primeiro passo concreto da heterogênea oposição venezuelana para se manter unida contra o presidente Hugo Chávez. Há dias, cogita-se que Capriles deve disputar o governo de Miranda contra o atual vice-presidente chavista Elías Jaua.

Chávez se diz curado de um câncer pélvico, mas não faltam versões de que a doença tem causado um efeito devastador em seu organismo, que pode levá-lo à incapacidade física - e à morte - em meses. O mandato que conquistou no domingo começa oficialmente em 2 de fevereiro e se estenderá até 2019.

"A estratégia é manter a oposição mobilizada pelo maior tempo possível em torno de um nome que catalisou o eleitorado anti-Chávez", declarou a fonte da cúpula da campanha ao Estado, referindo-se aos 6,46 milhões de votos que Capriles obteve no domingo, quando Chávez conquistou o direito de exercer seu quarto mandato, com 8,06 milhões de votos. "É importante que tenhamos sempre em mente que o cronograma eleitoral venezuelano não está fechado e precisamos estar prontos para colocar uma campanha na rua em pouco tempo." Embora o assunto seja tabu na política venezuelana, o cálculo da oposição é que uma nova eleição presidencial pode ser convocada a qualquer momento.

De acordo com a Constituição venezuelana, caso Chávez fique incapacitado nos primeiros quatro dos seis anos de mandato, uma nova eleição será convocada. Se isso ocorrer nos dois últimos anos, o vice - escolhido pelo presidente - cumpre o mandato até o fim. Capriles ocupava o posto de governador de Miranda quando venceu as primárias para a disputa da presidência pela oposição. As eleições estaduais estão marcadas para 16 de dezembro e Capriles deve definir a candidatura até depois de amanhã, quando se encerra o prazo de inscrição eleitoral.

Na avaliação da maior parte dos membros da MUD, sem a figura do carismático líder e mergulhado em disputas políticas internas, o chavismo pode se tornar uma presa fácil para uma candidatura de Capriles, que obteve a maior votação entre os adversários de Chávez em eleições presidenciais.

Em entrevista coletiva na segunda-feira, o secretário-geral da MUD, Ramón Guillermo Aveledo, declarou que a aliança, uma heterogênea reunião de partidos tradicionais e grupos de distintas ideologias - da extrema esquerda à extrema direita -, deve se manter. "Nosso maior erro seria deixarmos de existir", disse.

Estudantes partidários de Capriles interromperam na segunda-feira à noite o acesso à Praça Francia, em Altamira, distrito de classe média alta da capital venezuelana. Ateando fogo a cestos de lixo e papéis, os estudantes usavam apitos e tambores para protestar contra o que qualificaram de "fraude eleitoral".

"Chávez roubou nossa eleição, o verdadeiro vencedor é Capriles", disse ao Estado um dos jovens que se apresentou como Carlos. À tarde, Ramón Guillermo Aveledo, secretário executivo da MUD, havia anunciado não existir evidência de fraude.

 

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