REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Oposição vai às ruas da Venezuela pressionar por saída de Maduro

Na capital Caracas e em outras 18 cidades, manifestantes pedem que órgão eleitoral dê andamento ao processo do referendo revogatório, que pode tirar o presidente do cargo

O Estado de S. Paulo

11 Maio 2016 | 14h56

CARACAS - A oposição venezuelana protesta nesta quarta-feira, 11, em várias cidades do país para pressionar o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e dar prosseguimento ao referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro.

O governo chavista, no entanto, reagiu e ordenou que a polícia e a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) impedisse que os manifestantes chegassem até os escritórios do órgão eleitoral. Em Caracas, onze estações do metrô foram "fechadas preventivamente". Além disso, em outros Estados, como Zulia, os agentes da GNB também impediram o avanço dos manifestantes até a sede regional do CNE.

"Estamos aqui para exigir que o CNE pare com seus truques", disse o deputado opositor Henry Ramos Allup, presidente da Assembleia Nacional, na capital venezuelana, onde ele comandava a manifestação ao lado de Henrique Capriles, governador de Miranda - e candidato presidencial derrotado em 2012 por Chávez e em 2013, pelo próprio Maduro.

"O órgão eleitoral deve fazer tudo que for possível para que o referendo seja realizado ainda neste ano, para que essa vacância (de poder) não continue  no país", cobrou Ramos Allup, ao qualificar o governo de Maduro como uma omisso.

Acompanhados de milhares de manifestantes com bandeiras da Venezuela e de vários partidos de oposição, Ramos Allup e Capriles se concentraram em uma avenida na região leste da capital venezuelana para marchar até a sede do Conselho, no centro da cidade.

O movimento, no entanto, não obteve permissão da prefeitura de Caracas, controlada pelo chavismo, e foi barrado em vários pontos. Em um dos momentos de tensão no bloqueio, as autoridades lançaram bombas de gás lacrimogêneo para tentar conter os manifestantes. Capriles acabou atingido, sem gravidade.

"Não temos que pedir permissão a nenhum governista", afirmou o líder opositor, ao garantir que se as autoridades não permitissem que a marcha continuasse pelas avenidas principais, o grupo estava disposto a se movimentar por calçadas e outras vias para chegar ao CNE. "O povo quer mudança. Suas armadilhas só fortalecem nossa determinação."

Segundo Capriles, além da capital, outras 18 cidades venezuelanas realizam marchas nesta quarta para exigir que o CNE divulgue a data e os locais para a validação de 1,8 milhão de assinaturas entregues na semana passada pelos opositores favoráveis ao referendo.

Já o deputado opositor Julio Borges classificou de covarde a decisão das autoridades de tentar bloquear as manifestações. "O governo é tão covarde que tem medo do povo e não permite que avancemos. Não queremos mostrar nenhum vestígio de violência. Esta é uma marcha pela paz", disse Borges, líder da bancada opositora na Assembleia.

Sobre a realização do referendo, o estudante Eduardo Galviz, de 18 anos, que segurava um cartaz pedindo que a presidente do CNE, Tibisay Lucena, "acelere" o referendo disse acreditar que "a votação pode facilmente ser realizada em Outubro".

Pesquisas recentes mostram ainda que quase 70% dos venezuelanos querem que Maduro renuncie ou seja retirado cargo ainda neste ano. 

"Temos que sofrer de 9 a 10 horas em filas para conseguir comprar farinha de milho. Vamos de farmácia em farmácia procurando medicamentos", criticou Irma Rojas, uma líder comunitária que protestava no Estado de Falcon. "Por isso e por muito mais, queremos que este homem (Maduro) saia." / AP, REUTERS e EFE

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