Oposição vaia Mugabe na abertura do Parlamento do Zimbábue

Deputados afirmam que presidente é ilegítimo; líder afirma que governo está pronto para formar coalizão

Efe,

26 de agosto de 2008 | 15h43

Os deputados do partido opositor zimbabuano Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês) vaiaram nesta terça-feira, 26, na primeira sessão do novo Parlamento, o presidente do país, Robert Mugabe - cuja legitimidade não é reconhecida pelos opositores - e abandonaram a sala durante seu discurso de abertura.   O porta-voz do MDC, Nelson Chamisa, disse que "Mugabe não tem mandato para convocar o Parlamento. Ninguém pode fazer isto enquanto não terminarem as negociações" entre os partidos do governo e da oposição para a formação de um Executivo de união nacional que tire o país da crise na qual está mergulhado.   Chamando Mugabe de "assassino" e seu partido de "podre", os opositores - que na segunda-feira chegaram à Presidência da Câmara Baixa pela primeira vez desde a independência do país em 1980 - deixaram a sala durante o discurso, em uma sessão a qual tinham ameaçado boicotar.   No entanto, Mugabe, em seu discurso ao Parlamento, disse que o acordo para formar um governo de unidade "está pronto" e afirmou esperar que "todos o assinem", o que os opositores rejeitaram firmemente.   Mugabe, líder da governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF, em inglês), convocou nesta terça o Parlamento apesar da oposição do MDC, liderado por Morgan Tsvangirai. O líder opositor derrotou Mugabe nas eleições presidenciais realizadas em 29 de março, mas por não ter obtido maioria absoluta dos votos foi realizado um segundo turno, em 27 de junho. No entanto, uma semana antes da realização do mesmo, Tsvangirai se retirou das eleições por causa de ataques contra seus partidários por milícias fiéis a Mugabe, que obteve mais de 80% dos votos.

Tudo o que sabemos sobre:
Zimbábue

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.