Oposição vence no Zimbábue, mas haverá segundo turno

Resultado oficial mostra que Tsvangirai conseguiu 47% contra 43% do presidente; MDC ameaça boicotar pleito

Agência Estado e Associated Press,

02 de maio de 2008 | 10h46

A comissão eleitoral do Zimbábue informou nesta sexta-feira, 2, que o líder oposicionista Morgan Tsvangirai venceu o primeiro turno das eleições presidenciais do país. Tsvangirai não teve, porém, vantagem suficiente para evitar um segundo turno. Segundo os dados oficiais, Tsvangirai, líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), ficou com 47,9% dos votos. O atual presidente, Robert Mugabe, do ZANU-PF, obteve 43,2 %, na eleição realizada em 29 de março. A comissão afirmou que será anunciada uma data para o segundo turno.   O MDC acusou a comissão eleitoral de ignorar as objeções da sigla à contagem. "Não é justo", disse Chris Mbanga, funcionário do partido oposicionista que acompanha o processo. "Nenhum dos candidatos recebeu a maioria dos votos contados. Uma segunda eleição será realizada em uma data a ser anunciada", informou o comunicado da comissão.   Tsvangirai - que argumenta ter vencido a disputa por uma diferença maior que 50% - já disse anteriormente que não participará de um segundo turno. Antes mesmo da divulgação dos resultados, a oposição questionava o processo, citando 120 mil cédulas não contadas que poderiam provar a vitória de Tsvangirai por vantagem suficiente para levar a disputa já no primeiro turno.   "Nós dissemos à comissão eleitoral que não seguiremos em frente até entendermos de onde vieram esses 120 mil votos", disse o porta-voz de Tsvangirai, George Sibotshiwe, horas antes dos resultados serem divulgados. O MDC argumenta que Tsvangirai venceu com 50,3% dos votos, o que descartaria um segundo turno. Observadores independentes afirmam que o oposicionista ganhou, mas com vantagem insuficiente para evitar nova votação.   A oposição acusa Mugabe, há 28 anos no poder, de usar o atraso na divulgação do resultado para lançar uma campanha de intimidação. Grupos de direitos humanos argumentam que a violência pós-eleitoral tornou improvável que um segundo turno ocorra de modo livre e justo.   Mugabe, no cargo desde a independência do Zimbábue do Reino Unido, em 1980, é acusado de brutalidade e crescente concentração do poder. Mas o tema principal da campanha tem sido o colapso da economia, antes uma força regional. Mugabe já disse que aceitaria um resultado que indicasse um possível segundo turno. Ele havia pedido à oposição para fazer o mesmo.

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