AP Photo/Wil Riera
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Oposição venezuelana adia para sexta a marcha contra Constituinte

Pelo Twitter, coalizão Mesa da Unidade Democrática anunciou mudança para 'para defender a Constituição da fraude' depois de o presidente Nicolás Maduro adiar em um dia a posse dos integrantes do órgão que reformará a Carta do país

O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2017 | 11h43

CARACAS - A oposição venezuelana adiou para sexta-feira a marcha que tinha prevista para esta quinta, 3, contra a Assembleia Constituinte depois de o presidente Nicolás Maduro adiar a instalação desse órgão repudiado pela comunidade internacional.

A Mesa da Unidade Democrática (MUD) anunciou no Twitter que, "para defender a Constituição da fraude, a mobilização de hoje será amanhã, 4 de agosto". Da mesma forma, o dirigente Juan Carlos Caldera confirmou que a decisão foi tomada em função do adiamento para sexta da posse dos integrantes da Constituinte.

Nicolás Maduro anunciou no fim da noite de quarta que a instalação da Assembleia Constituinte, prevista inicialmente para esta quinta, foi adiada para o dia seguinte. O órgão tomará posse no Salão Elíptico do Parlamento, controlado pela oposição, que se reúne no hemiciclo do Palácio Legislativo. 

Maduro explicou que ainda está pendente a proclamação, por parte do poder eleitoral, de 35 constituintes do total de 545 membros da Assembleia encarregada de reformular a Carta Magna de 1999. O adiamento pretende "afastar as ameaças porque queremos que tudo ocorra em paz", afirmou Maduro.

A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, informou na noite da quarta-feira que abriu uma investigação sobre a denúncia de fraude envolvendo a eleição da Constituinte: "informo que designei dois procuradores para investigar as quatro reitoras do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) por este fato tão escandaloso".

"Estamos diante de um fato inédito, grave, que constitui crime", declarou Ortega, que pediu a realização de uma "auditoria com especialistas nacionais e internacionais, que não sejam reitores do CNE, porque estes são os primeiros suspeitos".

Segundo a empresa SmartMatic, encarregada do processo de votação na Venezuela desde 2004, houve fraude em relação ao número de eleitores na votação. Maduro rejeitou a acusação, afirmando que "o processo não tem mancha porque foi transparente", e atribuiu a denúncia da empresa de informática a uma "reação do inimigo internacional".

A Smartmatic afirma, no entanto, que "a diferença entre o número de eleitores anunciado e o que mostra o sistema é de, ao menos, um milhão" de pessoas. O número de eleitores era chave para a legitimidade da Constituinte, após a oposição assegurar que obteve 7,6 milhões de votos contra em um plebiscito simbólico celebrado em 16 de julho.

A oposição sustenta que apenas 3,5 milhões de pessoas votaram e, por isso, é a "maior fraude na história" do país. "É um terremoto em nível mundial", declarou Julio Borges, presidente do Parlamento, que pediu à Procuradoria para investigar a suposta fraude.

A denúncia sobre a fraude ocorre em meio ao rechaço da oposição e da comunidade internacional à Constituinte, um suprapoder que regerá o país por tempo indefinido e reformará a Carta Magna de 1999, impulsionada pelo presidente Hugo Chávez, falecido em 2013.

Os chanceleres do Mercosul se reunirão no próximo sábado, no Brasil, para decidir sobre a suspensão política da Venezuela do bloco "pela ruptura da ordem democrática" no país.

A Constituinte, segundo Maduro, reforçará também o poder das comunidades para aprofundar o socialismo, acabará com a dependência do petróleo - fonte de 96% da renda do país -, elevará à categoria constitucional os planos sociais, o controle dos preços contra a inflação e a entrega de alimentos subsidiados, em grave escassez.

Mas a oposição sustenta que Maduro tentará fugir das eleições. Na semana que vem vence o prazo de inscrição de candidatos às eleições regionais de dezembro, mas agora tudo depende das decisões da Constituinte. / AFP

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