Oposição venezuelana aponta Brasil como inimigo

O Brasil se transformou em uma espéciede inimigo da oposição ao presidente venezuelano, Hugo Chávez,que, neste domingo, demonstrou mais uma vez a sua força ao levaràs ruas de Caracas centenas de milhares de manifestantes queexigem há quase um mês a sua renúncia e a antecipação deeleições presidenciais. O embaixador do Brasil na Venezuela, Ruy Nogueira, contou àAgência Estado, por telefone de Caracas, que algumas centenas deanti-chavistas têm realizado panelaços em frente à residência daEmbaixada, no Country Club, bairro nobre na capital do país,protestando contra o envio de gasolina e o apoio que o Brasilvem prestado ao governo Chávez. "Nas últimas três noites, entre as 20h e 21h, algumascentenas de anti-chavistas se reuniram em frente à residênciapara protestar contra o Brasil e chamá-lo de inimigo", disse oembaixador. Sábado passado chegou à Venezuela o petroleiroAmazon Explorer da Petrobras com 520 mil barris de gasolina,volume insuficiente para normalizar a grave situação dedesabastecimento de combustíveis que enfrenta o país. Nem mesmoa chegada de outro navio com mais de 400 mil barris procedentede Trinidad e Tobago deve atenuar o problema. O embaixador se mostrou preocupado com a possibilidade de aoposição organizar a "tal tomada de Caracas", que prevê umamarcha multitudinária até o Palácio de Miraflores, sede doGoverno. "Embora a oposição não tenha ainda decidido quandoserá feita essa megamanifestação, tenho a impressão de queacabarão fazendo mesmo", afirmou o embaixador. Questionado até que ponto essa eventual manifestação àsportas de Miraflores representaria um combustível extra para ajá grave situação política e institucional no país, o embaixadordisse: "Será uma tática perigosa. Trata-se de uma receita parainiciar uma confusão, já que a situação está mais radicalizadado que antes." Por que?, insistiu a Agência Estado. Primeiro,explicou o embaixador, "porque o Palácio de Miraflores está emuma região totalmente popular e, depois, porque o presidenteChávez pode acabar sendo obrigado a convocar seus simpatizantespara fazer um cordão humano para defender Miraflores, comoocorreu em abril deste ano, quando houve confronto, o queprovocou a morte de 19 pessoas". Para o embaixador, depois dequase um mês em greve, a oposição vem mostrando que não voltaráatrás. O embaixador, que há cerca de duas semanas acompanhou MarcoAurélio Garcia, enviado especial do presidente eleito LuísInácio Lula da Silva a Caracas, nas audiências que o assessor deAssuntos Internacionais do Partido dos Trabalhadores teve com opresidente Chávez e com representantes da oposição, comentou queo governo venezuelano vem redobrando esforços para atenuar osefeitos da greve da Petróleos de Venezuela (PDVSA),principalmente para reduzir as filas gigantescas nos postos degasolina. Neste domingo, durante o programa "Alô presidente", Chávezassegurou que o momento mais crítico já passou, principalmentedepois que conseguiu "recuperar" o controle da indústriapetrolífera. Mas a oposição respondeu que "o pior ainda estápor vir". De acordo com o presidente, um contingente deaposentados, técnicos e trabalhadores leais ao governo começarama recuperar a produção de petróleo do país, que responde porquase metade dos ingressos e 80% das divisas internacionais.Apesar disso, a Venezuela, quinto maior produtor de cru do mundo está dependendo de importação de combustível, do Brasil,Curaçao e Trinidad e Tobago.

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