Miraflores Palace/Handout via REUTERS
Miraflores Palace/Handout via REUTERS

Oposição venezuelana cancela participação em reunião com o governo

Coalizão MUD diz que voltará ao diálogo mediado pelo Vaticano quando compromissos assumidos por Caracas forem cumpridos

O Estado de S. Paulo

06 Dezembro 2016 | 16h47

CARACAS - A oposição venezuelana suspendeu nesta terça-feira, 6, sua participação na terceira reunião dos diálogos com o governo de Nicolás Maduro, à espera de que ele cumpra uma série de acordos para resolver a crise política, anunciou o secretário-executivo da coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba.

“Seguiremos no mecanismo de diálogo, mas não vamos participar da reunião desta terça-feira, 6 de dezembro”, disse Torrealba, acrescentando que a oposição manterá contato apenas com os mediadores do Vaticano e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

A MUD já havia adiantado que cancelaria a presença no terceiro encontro da mesa de diálogo iniciada no dia 30 de outubro se o governo se negasse a cumprir o que foi decidido nas negociações.

Em particular, a oposição se refere a uma saída eleitoral para a crise política e à libertação de opositores presos, mas Maduro argumenta que esses temas não fazem parte da agenda.

“Permanecer sentados ali como se nada estivesse acontecendo seria negar que é uma negociação séria. O governo não só descumpre, mas nega todos os acordos”, afirmou Torrealba em seu programa de rádio.

Na segunda-feira, o Vaticano havia enviado uma carta “confidencial” a Caracas pedindo o cumprimento das medidas. 

O porta-voz da MUD confirmou que delegados opositores se reuniriam ainda ontem com o monsenhor Claudio María Celli, enviado do papa Francisco, e com o núncio apostólico Aldo Giordano para conversar sobre os políticos presos, especialmente um grupo de 14 que se declarou em greve de fome no domingo.

Também no fim de semana, a mulher do líder opositor Leopoldo López, preso desde 2014, se acorrentou em frente ao Vaticano em protesto pela soltura de seu marido. /AFP e REUTERS

 

Mais conteúdo sobre:
Venezuela Nicolás Maduro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.