Oposição venezuelana cobra apoio do País à democracia

Líder de um dos grandes movimentos de oposição da Venezuela, o Generacion Libre, o advogado Yon Goicoechea cobrou uma posição mais contundente do governo brasileiro em defesa da democracia nos países da América Latina e disse esperar uma postura mais moderada da presidente Dilma Rousseff em relação Hugo Chávez, em comparação ao apoio dado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao colega venezuelano.

LUCIANA NUNES LEAL, Agência Estado

28 de abril de 2011 | 17h17

"O Brasil tem que definir que tipo de liderança terá na América Latina. Nós, latino-americanos, não estamos dispostos a dar um cheque em branco ao Brasil para ser líder. Tem que ser líder quando convém e quando não convém. Para o Brasil, é mais importante ter democracia em seu entorno do que apenas o intercâmbio comercial. Ser líder de um continente democrático e próspero tem muito mais significado econômico, estratégico e político do que intercâmbio econômico", disse Goicoechea, de 26 anos, líder do movimento estudantil de resistência ao governo Chávez.

O advogado concedeu entrevista depois de participar de uma mesa sobre direitos humanos no Fórum Econômico Mundial da América Latina, que acontece no Rio de Janeiro. "A política diplomática brasileira se caracteriza pela neutralidade. A política do presidente Lula foi de apoio a restrições que ele jamais proporia para o Brasil. Goste-se ou não dele, não se pode dizer que o presidente Lula não fez um governo democrático. A presidente Dilma é mais moderada. Não se espera que o Brasil rompa relações com Caracas, mas que o Brasil faça uso de sua liderança. A presidente Dilma é muito inteligente e tem sido mais moderada que o presidente Lula. Ela sofreu na ditadura e não acredito que vai apoiar a ditadura no nosso país", afirmou o venezuelano.

Durante a mesa redonda, Goicochea citou os governos de Venezuela, Cuba e Bolívia como "ditaduras modernas que utilizam o Poder Judiciário para restringir liberdades e praticam uma repressão dissimulada". O advogado citou a formação de grupos paramilitares, "grupos armados para botar o povo contra o povo".

O oposicionista fez uma crítica a grupos de defesa dos direitos humanos, segundo ele por não darem ouvidos aos movimentos de resistência política. "É mais prático falar de temas que não estão diretamente ligados aos governos, como as mulheres, os índios, do que tratar do narcotráfico, por exemplo", disse.

O jornalista argentino Hugo Alconada Mon, que ocupa o cargo de editor investigativo do jornal La Nacion, citou o acesso à informação como parte fundamental dos direitos humanos, ao lado de temas como segurança e combate à pobreza. "Os direitos humanos na América Latina não podem ser defendidos em parte", disse. "Temos uma divisão política na América Latina que faz com que os direitos humanos sejam um discurso político simplesmente. Temos uma violência crescente, narcotráfico, grupos armados e ilícitos estão ocupando espaço" afirmou. "Na Venezuela, o narcotráfico está ganhando importância no sistema político e social e percebemos uma falta de interesse nessa questão".

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