REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Oposição venezuelana confirma referendo e emenda constitucional contra Maduro

Secretário-executivo da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) convoca mobilização 'popular e pacífica' para buscar saída 'democrática, constitucional e eleitoral' para crise no país

O Estado de S. Paulo

08 de março de 2016 | 12h24

CARACAS - A oposição venezuelana confirmou nesta terça-feira, 8, que levará adiante a decisão de convocar um referendo revogatório e colocar em votação na Assembleia Nacional uma emenda constitucional para tentar tirar Nicolás Maduro da presidência. Também será realizada uma grande mobilização nacional para pressionar o mandatário a renunciar.

A decisão de adotar três estratégias simultâneas contra o líder bolivariano foi confirmada na semana passada por dirigentes da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), mas o anúncio oficial havia sido adiado em razão de uma decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) que suspendeu os poderes do Legislativo de monitorar as atuações do outros poderes públicos.

"Tomamos a decisão unânime de convocar a população da Venezuela para formar o maior movimento de pressão popular que já existiu no país, para mobilizar todos os mecanismos de mudanças", afirmou o secretário-executivo da MUD, Jesús "Chuo" Torrealba. "A mudança está chegando e ninguém poderá pará-la." 

De acordo com o dirigente opositor, a ideia é construir a mudança "com o voto do povo" e não "com o sangue do povo", dando a entender que a mobilização, apesar de incisiva, terá tom pacífico e evitará a confrontação com os militantes do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). "(Buscaremos) uma saída democrática, pacífica, constitucional e, sobre tudo, eleitoral", disse Torrealba. 

O opositor convocou a partir de sábado uma "ampla mobilização popular e pacífica para fazer com que Maduro renuncie" e apoiar as vias legais que paralelamente serão encaminhadas no Parlamento. "O que a MUD fez? Ao invés de nos dividirmos em vários mecanismos, nos unimos pela estratégia de luta", disse Torrealba ao justificar a decisão da coalizão.

Analistas constitucionais do país advertiram, no entanto, que os mecanismos pleiteados pelos antichavistas terão que passar pelo filtro do TSJ, acusado pela oposição de ser comandado pelo governo.

"O governo emperrou o jogo e aprofundou o desastre econômico. Não aguentamos mais isso. Somos vítimas da pior crise da história do país, nada funciona. Por isso, a Venezuela assumirá o caminho da mudança", defendeu o opositor.

Críticas. Na segunda-feira, o deputado chavista e número 2 do PSUV, Diosdado Cabello, questionou declarações de alguns opositores que não descartavam a possível convocação de mobilizações nas ruas para pressionar pela saída de Maduro. "Falem claramente. Vão promover mobilizações para ver se dão um golpe de Estado", criticou Cabello.

O deputado disse ainda que as ações da oposição venezuelana contra o presidente são apoiadas pelos Estados Unidos, mas não deu detalhes de como chegou a essa conclusão.

Na semana passada, Maduro descartou a possibilidade de deixar o cargo de forma prematura. "Nenhum cavalheiro vai me tirar daqui. Por isso, digo que estou tranquilo. Esta casa seguirá sendo do povo e aqui continuará Nicolás Maduro", afirmou o presidente.

Desde que a MUD assumiu em janeiro o controle da Assembleia Nacional, a coalizão anunciou que seu objetivo era encontrar saída, em até seis meses, para acabar com o mandato do presidente. Em fevereiro, o presidente do Parlamento, Henry Ramos Allup, afirmou que diante da deterioração das condições econômicas da Venezuela a oposição intensificaria suas tentativas de resolver a crise de forma constitucional.

Nos últimos anos, a Venezuela enfrenta uma crise crescente em razão da brusca queda no preço do petróleo, responsável por cerca de 95% da entrada de dólares no país. Além da escassez de mais de um terço dos produtos da cesta básica a inflação anualizada do país se aproxima dos três dígitos, segundo dados oficiais. Para analistas, no entanto, o índice pode passar de 720% neste ano. / AFP, REUTERS e AP

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