AP Photo/Fernando Llano
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Polícia volta a barrar protesto de opositores no centro de Caracas

Forças de segurança do presidente Nicolás Maduro barraram o quinto protesto nos últimos dez dias na capital venezuelana; oposição e governo continuam trocando acusações sobre crise no país

O Estado de S.Paulo

10 Abril 2017 | 12h08
Atualizado 10 Abril 2017 | 17h24

CARACAS - As forças de segurança da Venezuela dissolveram nesta segunda-feira, 10, pela quinta vez nos últimos dez dias, uma passeata de opositores do governo de Nicolás Maduro que tinha centenas de participantes e pretendia seguir rumo ao centro da cidade para protestar contra o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) do país. Além disso, dois portais que transmitiam os protestos online tiveram o acesso bloqueado no país.

Enquanto os opositores tentavam marchar em Caracas, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, disse durante visita ao Brasil que a Venezuela precisa de um governo legítimo, o que só acontecerá com novas eleições.

Dezenas de membros da Polícia Nacional Bolivariana (PNB) e da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) fecharam novamente os acessos ao município de Libertador - um dos cinco que formam Caracas e é sede dos poderes públicos na Venezuela - governado pelo chavista Jorge Rodríguez, que afirmou que as mobilizações visam gerar violência nesta parte da capital.

O metrô de Caracas informou que 18 de suas estações subterrâneas e 19 de suas rotas terrestres de ônibus foram fechadas "para a segurança" dos usuários. Em sua conta no Twitter, o metrô de Caracas detalhou as estações que não abririam nesta segunda, entre elas Chacaíto, Chacao e Sabana Grande, os três acessos do trem subterrâneo mais próximos do ponto de concentração dos opositores que protestariam contra o TSJ.

Deputados opositores alertaram na mesma rede social que as autoridades venezuelanas limitaram o acesso de veículos nas principais estradas que levam à cidade. Antes do início das manifestações, o deputado José Manuel Olivares compartilhou imagens no Twitter nas quais era possível ver enormes filas de veículos que, segundo ele, seriam feitas com o propósito de evitar que os manifestantes chegassem à capital. "Não há obstáculo que evite nossa presença na rua, protestando de maneira pacífica contra o golpe de Estado!", escreveu ele em sua conta no Twitter.

Já a aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) usou sua conta na rede social para denunciar casos de repressão das forças de segurança: "Manifestantes são reprimidos com bombas de gás lacrimogêneo pelas forças de segurança."

A marcha. Os manifestantes começaram a se reunir às 10 horas (11 horas de Brasília) na praça Brión de Chacaíto, no leste da capital venezuelana, e começaram a passeata sem que o rumo da mobilização fosse esclarecido por seus dirigentes.

Enquanto a maior parte dos participantes se mantinha afastada dos gases lacrimogêneos, outras dezenas, em sua maioria usando máscaras, entrou em confronto com as forças de segurança. Iniciadas as ações da polícia para dispersar o protesto, o governador do estado de Miranda e ex-candidato à presidência Henrique Capriles declarou ao canal "Vivo Play" que a medida era parte do que ele chama de "autogolpe do governo".

"O que acontece aqui é repressão, mais nada (...) o governo continua o processo do autogolpe, acredita que assim, com repressão, é a forma de resolver a crise", criticou.

A oposição venezuelana se tem manifestado nas últimas duas semanas em rejeição a sentenças emitidas por sete juízes do Supremo nas quais assumia as funções do Parlamento, mas depois as suprimiram parcialmente. O Parlamento - de maioria opositora - qualificou como "golpe de Estado" a atuação do Supremo e abriu um processo de remoção dos juízes que assinaram as sentenças. 

Embora o TSJ tenha voltado atrás da decisão, a Assembleia Nacional, controlada pela oposição, segue sem poder para aprovar leis, uma vez que a mais alta Corte garante que o Legislativo se encontra em "desacato".

"Devemos abandonar este governo tão nefasto. Não há medicamentos, não há comida, o que há é insegurança", disse César Cáceres, um eletricista de 54 anos, em uma praça Caracas, onde manifestantes se reuniram. "Vamos continuar na rua, porque você não pode viver, temos que lutar pelo país."

A oposição também pedia a definição de uma data para a realização de eleições gerais na manifestação em Caracas. Segundo uma agenda de protestos da MUD, durante essa semana serão coletadas assinaturas pedindo a abertura do processo no Poder Cidadão para a destituição dos juízes do Tribunal Supremo de Justiça. Em outras cidades, centenas de pessoas formavam longas filas para assinar uma petição buscando a renúncia dos sete juízes do Supremo que aprovaram a decisão polêmica da semana passada.

Vários governos das Américas e da Europa pediram a Maduro que respeite a separação de Poderes, liberte uma centena de presos políticos e convoque eleições gerais. O presidente, que participa de uma cúpula em Cuba, no entanto, tem pedido a seus homólogos que parem de interferir em seu país.

A oposição aponta Maduro como o principal responsável pela grave crise econômica na Venezuela, com a maior inflação do mundo, recessão e escassez, mas o líder socialista acusa seus oponentes de travar uma "guerra econômica", com a finalidade de derrubá-lo. / EFE, REUTERS e AFP

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