Esteban Felix/ AP
Esteban Felix/ AP

Oposição venezuelana critica chavismo por prisão de dois prefeitos

Daniel Ceballos, de San Cristobal, e Vicencio Scarano, de San Diego estão na sede do serviço secreto

O Estado S. Paulo ,

20 de março de 2014 | 10h11

CARACAS - A coalizão opositora venezuelana Mesa de Unidade Democrática (MUD) denunciou nesta quinta-feira, 20, a prisão de dois prefeitos opositores ao chavismo. Daniel Ceballos, de San Cristóbal, no Estado de Táchira, e  Vicencio Scarano, de San Diego, de Carabobo, são acusados pela Justiça de "rebelião civil" e de descumprir ordens para desmobilizar barricadas erguidas por manifestantes antichavistas em suas respectivas cidades.

"Condenamos essa detenção inultimente ilegal do prefeito Ceballos, preso sem acusação prévia, e alertamos o país e toda a comunidade internacional sobre essa violação dos direitos de cidadão do prefeito e do seu cargo outorgado pela vontade do povo de San Cristóbal", declarou a MUD .

Deputados do partido Voluntad Popular (VP), ao qual pertence Ceballos e que é liderado pelo opositor Leopoldo López, detido há um mês, pediram libertação do prefeito. "Isso tem apenas um nome: ditadura. Esse regime que estamos vivendo na Venezuela, onde não se respeitam os direitos de ninguém, simplesmente chegam alguns sujeitos armados e encapuzados e levam uma pessoa sem ordem de captura e depois ninguém fornece explicações", disse o deputado do VP Juan Guaidó.

O líder opositor Henrique Capriles condenou a prisão dos prefeitos por meio de sua conta no Twitter. "Decisão fascista contra nossos prefeitos", escreveu Capriles, que acusou o presidente Nicolás Maduro de "jogar gasolina no fogo". "Ele, e somente ele, será o responsável pela situação que vier a se desenvolver no país, que todo o mundo saiba", declarou.

Prisão. O pedido de detenção do prefeito de San Cristobal, onde começaram os protestos contra o governo, foi anunciado pelo ministro da Justiça Miguel Rodríguez.  "O cidadão Daniel Ceballos já tem sua ordem de captura por rebelião civil e associação ilegal e foi praticada a captura pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), que o tem agora sob controle para a respectiva apresentação perante o tribunal", disse o ministro ao canal estatal "VTV".

Ainda na quarta-feira, o Tribunal Superior de Justiça da Venezuela (TSJ) condenou Scarano a dez meses de prisão por desacatar uma sentença que o obrigava a impedir a colocação de barricada  de protesto contra o governo. "Além disso, Vicencio Scarano Spisso está destituído de suas funções no cargo de prefeito do município San Diego do estado de Carabobo", afirmou o tribunal em uma nota de imprensa.

A Venezuela vive uma onda de protestos contra o governo de Nicolás Maduro desde o último dia 12 que desembocou em incidentes violentos com cerca de 30 mortes, centenas de feridos e mais de 1,5 mil detidos. / EFE

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