Miguel Gutiérrez / Efe
Miguel Gutiérrez / Efe

Oposição venezuelana diz ter havido excessos em prisão de prefeito

Ordem judicial para detenção de Daniel Ceballos não foi apresentada, segundo sua advogada

Denise Chrispim Marin - Enviada especial,

20 de março de 2014 | 13h32

CARACAS - Lideranças do partido antichavista Vontade Popular  afirmaram  nesta quinta-feira, 20, que houve excessos na prisão do prefeito de San Cristóbal, Daniel Ceballos, ontem em Caracas. Ele e o prefeito de San Diego, Enzo Scarano, foram detidos pela Justiça venezuelana sob a justificativa de "incitar uma rebelião" contra o governo. O prefeito do distrito caraquenho de El Hatillo, David Smolansky, acusou o presidente Nicolás Maduro de tentar "aniquilar" a legenda e convocou novos protestos pacíficos nas ruas do país.

Uma marcha seguirá ainda nesta hoje até a sede do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional), órgão responsável pela prisão de Ceballos. Outro grande protesto, que reunirá marchas vindas de cinco pontos de Caracas, está marcado para manhã de sábado.

"Não há condição para dialogar com um governo que reprime, aprisiona prefeitos e estudantes e que lança gás lacrimogêneo e põe seus tanques nas ruas para intimidar a população", afirmou Smolansky na sede do VP, em Caracas. "Com a prisão de dois prefeitos, o governo de Maduro nos dá um golpe de Estado municipal e desconhece a vontade popular dos eleitores." Além dos dois prefeitos, o líder opositor Leopoldo López, preso há um mês, também pertence ao partido

Denúncia. A advogada de Ceballos, Ana Leonor Acosta, foi testemunha da prisão, ocorrida quando ele estava reunido com sua equipe em um hotel de Caracas na noite de 19. Segundo Ana Leonor, os agentes afirmaram ter uma ordem judicial de prisão, mas se negaram a mostrá-la e disseram para ela ir buscar o documento na sede do Sebin. Cerca de 20 agentes fortemente armados participaram da operação. Somente às 3h de hoje, Ana Leonor foi informada do paradeiro de Ceballos - o mesmo centro penitenciário militar em Los Teques onde está preso há um mês o líder do VP, Leopoldo López.

"Eu gritava aos agentes do Sebin que isso era um sequestro. Até agora, não foi entregue a ordem judicial de prisão do prefeito. Continua, portanto, a ser um sequestro", afirmou ao Estado.

O prefeito Enzo Scarano, que responde às mesmas denúncias, também foi levado ontem ao centro penitenciário de Los Teques ao final de audiência do Tribunal Supremo de Justiça, na tarde de ontem. Ele apresentava uma medida cautelar à Justiça quando recebeu voz de prisão por desacato às autoridades. Smolansky relatou ter conversando com ambos os prefeitos e com López durante a madrugada. A mensagem dos três foi de manter a pressão sobre o governo por meio de mais e maiores protestos públicos.

A líder estudantil Gaby Arellano disse ao Estado que, nas últimas 48 horas, 525 estudantes foram presos, acusados de terrorismo, de apoiar a delinquência e de rebelião. A repressão das forças do governo tem sido mais forte no interior do país, em especial em Carabobo, onde já houve 14 mortes. Em Caracas, afirmou ela, o governo não tem enviado os coletivos, grupos civis e paramilitares armados que circulam em motocicletas, para atacar os manifestantes. Mas eles têm sido atuantes nos protestos no restante do país.  "Não temos alternativa senão irmos para a rua protestar", afirmou.

 

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