AFP PHOTO / RONALDO SCHEMIDT
AFP PHOTO / RONALDO SCHEMIDT

Oposição venezuelana elege Henry Ramos Allup como presidente do Parlamento

Parlamentar prometeu que opositores recuperarão sua autonomia e que estimulará uma anistia para presos políticos, além de uma mudança de governo

O Estado de S. Paulo

04 Janeiro 2016 | 10h35

CARACAS - A oposição venezuelana elegeu no domingo o deputado veterano Henry Ramos Allup como presidente do Parlamento, que iniciará a legislatura na terça-feira. "Ganhamos todos, ganhou a Venezuela", disse ele após o anúncio de que presidirá o primeiro dos cinco anos de mandato da nova Assembleia Nacional.

O parlamentar prometeu que a maioria opositora, que controlará o Legislativo, vai recuperar sua autonomia, estimulará uma anistia para presos políticos e uma mudança de governo.

"Esta Assembleia Nacional subalterna submetida ao Poder Executivo acabou", declarou Ramos Allup, que presidirá durante 2016 um Parlamento que terá, pela primeira vez em 16 anos, maioria opositora.

O político, líder da Ação Democrática (AD) - partido mais poderoso da história republicana da Venezuela antes de Hugo Chávez ser eleito presidente em 1999 -, obteve 62 votos, contra 49 de Julio Borges, representante do Primeiro Justiça, de centro-direita.

Ramos Allup reiterou que a oposição estimulará um projeto de lei de anistia para presos políticos, apesar de o presidente Nicolás Maduro ter afirmado que vetará qualquer medida neste sentido.

"Não vamos entrar em uma disputa com o governo, se o presidente diz que aceita ou não a lei de anistia. Ele não é quem decide aceitar ou não aceitar uma lei, porque nós temos faculdades constitucionais para promulgá-la no caso de, em sua insensatez, negar tal promulgação", disse.

Ramos Allup também recordou que em julho de 2015 a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) assinou um acordo em que se comprometeu a oferecer, no período de seis meses, "uma solução democrática, constitucional, pacífica e eleitoral para a mudança do presente governo".

A eleição de domingo, celebrada em um hotel da zona leste de Caracas, contou com a presença de 111 dos 112 deputados opositores eleitos nas legislativas de 6 de dezembro.

Três dos 112 parlamentares podem perder provisoriamente suas cadeiras, de acordo com uma decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ). A MUD ficaria provisoriamente sem a maioria de dois terços (112 de 167 cadeiras) conquistada nas eleições parlamentares.

Ramos Allup ratificou a decisão da MUD de desafiar as impugnações, que chamou de "fraudulentas", e insistiu que os 112 deputados eleitos ocuparão suas cadeiras na terça-feira.

"O povo elegeu 112 deputados da MUD. Nenhuma decisão burocrática, e muito menos de um órgão absolutamente carente de legitimidade de origem, pode desvirtuar, frustrar ou roubar a vontade popular", disse Ramos Allup.

O advogado de 72 anos substituirá o número dois do chavismo, Diosdado Cabello, na presidência do Parlamento. / AFP e EFE

Mais conteúdo sobre:
Venezuela Parlamento Henry Ramos Allup

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.