REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Polícia venezuelana reprime nova marcha da oposição contra Maduro

Forças de segurança usaram gás lacrimogêneo, balas de borracha e jatos de água para impedir que os manifestantes contrários ao presidente venezuelano cheguem ao centro da capital; apoiadores do chavismo se reúnem nos arredores do Palácio Presidencial de Miraflores

O Estado de S.Paulo

26 Abril 2017 | 12h57
Atualizado 26 Abril 2017 | 15h37

CARACAS - Agentes da polícia antimotim da Venezuela usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha para impedir o avanço nesta quarta-feira, 26, de manifestantes contrários ao presidente Nicolás Maduro que tentavam chegar ao centro de Caracas. Em mais um episódio de violência desde a intensificação das marchas contra o líder bolivariano, os opositores lançaram pedras contra as autoridades.

As Forças de Segurança também utilizaram jatos de água para tentar dispersar o grupo de jovens que, com rostos cobertos com panos e máscaras antigases, tentavam transpor a barreira na autopista Francisco Fajardo - principal via rápida de Caracas, que liga as zonas leste e oeste da capital.

"Temos que marchar e seguir. Quem ficar em casa perderá. Continuaremos aqui todos os dias", disse Andrés González, um estudante de 20 anos que usava um capacete e uma máscara antiga. Alguns jovens também gritavam gritos como "Quem somos? A Venezuela. O que queremos? Liberdade" e "Urgente, Urgente... Um novo presidente".

Milhares de opositores se mobilizaram nesta quarta em Caracas e em outras cidades do país para exigir eleições gerais antecipadas e a saída de Maduro do poder. Eles pretendiam exigir que o defensor do povo, Tarek William Saab, ative um processo de destituição dos magistrados do TSJ ou o considerarão cúmplice do que chamam de "golpe de Estado".

Desde que os protestos começaram, em 1º de abril, foram registrados confrontos entre forças de segurança e manifestantes, distúrbios, saques e tiroteios de grupos de encapuzados, que segundo a Procuradoria deixaram 26 mortos, embora Maduro fale de 29 vítimas.

Contingentes policiais e militares estão mobilizados desde cedo, com veículos e outros equipamentos antimotins, nos acessos a estradas de diferentes setores de Caracas, enquanto todas as estações de metrô estão fechadas, o que provocou engarrafamentos e dificuldades de transporte para quem tenta ir trabalhar.

"Vamos resistir, vamos persistir, não vamos nos render", manifestou o líder opositor Henrique Capriles ao acusar o governo de uma "repressão selvagem" das manifestações.

No centro da cidade, os apoiadores do chavismo também se reuniram em uma manifestação de apoio ao presidente. Eles estão concentrados nos arredores do Palácio Presidencial de Miraflores, onde esperavam a presença de Maduro.

"Vamos derrotar a guarimba (protesto violento) e o golpe de Estado", disse na noite de terça-feira o presidente bolivariano, que acusa os líderes opositores de "terrorismo", ao convocar a "juventude revolucionária" a marchar "em defesa da paz".

Maduro, cujo mandato termina em janeiro de 2019, afirma que seus adversários têm um plano apoiado pelos Estados Unidos para derrubá-lo e propiciar uma intervenção estrangeira. Enquanto isso, a oposição qualifica o governo como uma "ditadura" e vê como única saída para a profunda crise política e econômica do país petrolífero a saída de Maduro do poder.

Mais de 70% dos venezuelanos, segundo pesquisas privadas, reprovam a gestão de Maduro, cansados da escassez de alimentos e remédios, e de uma inflação que segundo o FMI chegará a 720,5% neste ano - a mais alta do mundo.

Pressão internacional. A tensão na Venezuela segue causando preocupação. A Organização dos Estados Americanos (OEA), cujo secretário-geral Luis Almagro chama Maduro de ditador, se reúne nesta quarta-feira para discutir um possível encontro de chanceleres para tratar da crise no país caribenho.

A ministra das Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, advertiu que se for realizada uma reunião de chanceleres, a Venezuela iniciará "o procedimento de retirada" da OEA. A pedido de Caracas, a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) convocou uma reunião extraordinária para o dia 2 de maio.

Os protestos explodiram depois que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), acusado de servir ao chavismo, assumiu no fim de março as funções do Parlamento, único dos poderes que a oposição controla, mas recuou pela forte crítica internacional.

A Anistia Internacional pediu nesta quarta-feira que o governo pare com a perseguição e com as detenções arbitrárias contra os opositores, enquanto a ONG Repórteres Sem Fronteiras publicou seu relatório sobre ameaças à imprensa, no qual situa a Venezuela na posição 137. / AFP

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