AFP PHOTO / Erika SANTELICES
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Oposição venezuelana suspende diálogo com governo Maduro

Coalizão Mesa da Unidade Democrática diz que declaração do ministro de Interior chavista, Néstor Reverol, que acusou dirigentes opositores de delatarem o ex-policial Óscar Pérez, 'criou obstáculos para negociação' e exige explicação do presidente

O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2018 | 12h21

CARACAS - A coalizão opositora venezuelana Mesa da Unidade Democrática (MUD) decidiu não participar nesta quinta-feira, 18, da rodada de negociação com o governo de Nicolás Maduro, na República Dominicana, depois que o ministro de Interior do país afirmou que dirigentes opositores de delatarem o ex-policial Oscar Pérez, morto nesta semana em operação das forças de segurança do país.

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O deputado e negociador da oposição Luis Florido, do partido Vontade Popular (VP), confirmou a decisão da MUD e escreveu em sua conta no Twitter que as declarações de Néstor Reverol "criaram obstáculos para a reunião" na capital dominicana, sede dos encontros entre os dois lados da crise venezuelana desde setembro.

"Reverol mentiu aos venezuelanos e suas declarações criaram obstáculos para a reunião de amanhã (hoje) na República Dominicana", escreveu Florido em sua conta no Twitter. "O governo deve desmenti-lo. Por respeito, enviamos carta ao presidente (dominicano) Danilo Medina com cópia aos chanceleres de países amigos", completou.

Além de refutar as declarações feitas por Reverol de que alguns dirigentes que participam dos diálogos teriam fornecidos informações sobre a localização de Óscar Pérez, a MUD exigiu que o governo Maduro esclareça as declarações do ministro. 

Além de Florido, o secretário-geral do partido opositor Ação Democrática (AD), Henry Ramos Allup, também afirmou que os opositores não participariam da negociação nesta quinta.

"Que eu saiba, amanhã (quinta-feira) não há reunião da comissão de diálogo", disse Ramos Allup. A A AD, partido mais antigo da Venezuela, é um dos membros da coalizão opositora que participa das conversas com o governo para buscar uma saída para grave crise que atravessa o país.

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No entanto, a delegação da oposição reiterou sua vontade de continuar com as negociações e de preservar o acompanhamento dos chanceleres do Chile, México, São Vicente e Granadinas, Nicarágua e Bolívia "que sem dúvida contribuíram de maneira efetiva para um melhor entendimento dos temas debatidos".

Até o momento os representantes do governo chavista ainda não comentaram a decisão dos negociadores da oposição.

Recentemente, Maduro afirmou que governo e opositores tinham chegado a acordos em sete pontos, mas não deu mais detalhes sobre a negociação. Além disso, o ministro de Comunicação e delegado do governo nas negociações, Jorge Rodríguez, expressou confiança de que os temas pendentes poderiam ser revolvidos na próxima reunião. / AP e EFE

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