AP Photo/Eraldo Peres
AP Photo/Eraldo Peres

Oposição venezuelana planeja reformulação para 2017

Um ano após assumir o controle da Assembleia Nacional, a oposição renovará a junta diretiva parlamentar na quinta-feira,5,  trocará sua equipe coordenadora e redefinirá seu roteiro

O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2017 | 14h12

CARACAS - A oposição venezuelana retoma nesta semana sua ofensiva contra o governo de Nicolás Maduro, dividida e sem uma estratégia clara para conquistar seu objetivo de tirar o chavismo do poder, que continua forte apesar das previsões de uma crise ainda pior em 2017.Um ano após assumir o controle da Assembleia Nacional, a oposição renovará a junta diretiva parlamentar na quinta-feira,5,  trocará sua equipe coordenadora e redefinirá seu roteiro, após seu plano de revogar o mandato de Maduro fracassar em 2016 e acabar se dividindo e perdendo apoio popular.

"Estão em uma situação duplamente difícil: lutam contra uma força que tem o poder econômico, militar e político; e fazem isto divididos, sem organização sólida, e com um enfrentamento interno insuperável", comentou com a AFP Luis Vicente León, presidente da empresa Datanalisis.

A opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) já anunciou que irá procurar motivar a pressão social. Mas não será fácil, apesar de 78,5% dos venezuelanos, segundo a Datanálisis, rejeitar a gestão de Maduro por estarem cansados da alta inflação e da escassez de alimentos, remédios e até de cédulas de dinheiro.

Após ganhar as legislativas de 2015 e acabar com 17 anos de hegemonia chavista no Parlamento, esta aliança opositora não consegue capitalizar o descontentamento. Segundo a empresa Keller e Associados, seu apoio diminuiu de 45% para 38% nos últimos dois meses, por seus desacordos, erros estratégicos e desconexão social. "Houve altíssimas expectativas que não foram satisfeitas. Faltou à oposição uma estratégia de poder", admitiu Jesús Torrealba, que poderá ser retirado do cargo de secretário-executivo da MUD.

A MUD aumentou suas divergências internas após o poder eleitoral suspender o processo de referendo revogatório em 20 de outubro. Mas, apesar disso, dez dias depois iniciou um diálogo com o governo, promovido pelo Vaticano e pela União das Nações Sul-Americanas (Unasul). As negociações foram rejeitadas por muitos apoiadores da MUD e pela metade dos 30 partidos que a integram - entre eles o líder preso Leopoldo López -, por considerar que o governo planejou-as para esfriar os protestos.

"Não são divisões superficiais. Na MUD há diferenças estruturais entre moderados e radicais sobre a forma de resolver o problema Maduro e conflitos de interesse entre seus líderes", opinou León.

Apesar dos 17 opositores libertados desde o início das conversas, a MUD afirma que ainda permanecem presos uma centena deles, entre os quais os de maior "peso": Leopoldo López e o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma. "Essas libertações são pontuais, não vão na raiz do problema do diálogo: a desconfiança. Por isso está em ponto morto", afirmou à AFP o cientista político Ricardo Sucre.

López, Ledezma e outros opositores propõem retomar a ofensiva na Assembleia Nacional e nas ruas, e "recuperar o voto". "Devemos lutar pela mudança de governo", disse o ex-candidato à presidência Henrique Capriles.

A MUD não esclarece como atuará: se irão se concentrar nas eleições de governadores e prefeitos deste ano ou insistirão em um revogatório, que em 2017 envolve somente a substituição de Maduro por seu vice-presidente e não as eleições presidenciais, como seria caso tivesse sido revogado em 2016. "Um revogatório já não tem sentido. As eleições regionais são a opção que lhes resta", afirmou Sucre. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.