REUTERS/Jorge Silva
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Oposição venezuelana pressiona por mais concessões do chavismo

Capriles diz que Leopoldo López tem de ser solto e presidente do Parlamento diz que nos próximos dias devem ocorrer anúncios relevantes

O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2016 | 17h28

CARACAS - Um dia depois de cancelar a marcha contra o presidente Nicolás Maduro marcada para esta quarta-feira, 2, para estimular as negociações intermediadas pelo Vaticano com o chavismo, a oposição venezuelana aumentou  a pressão pela libertação do líder do partido Voluntad Popular Leopoldo López, preso desde 2014 e criticou o chavismo por tentar isolar o partido no processo de diálogo. 

O governador de Miranda, Henrique Capriles, e a mulher de López, Lilian Tintori, pediram a libertação do ex-prefeito de Chacao e uma prova de que ele esteja vivo e em boas condições de saúde no presídio de Ramo Verde, onde cumpre pena de 14 anos de prisão. 

A oposição pede que o chavismo cumpra o previsto nas negociações intermediadas pelo Vaticano e ameaça abandonar o diálogo caso perceba que o governo quer apenas ganhar tempo com o processo. 

“Em horas saberemos se há ou não diálogo e se será cumprido o que falamos com a Igreja”, disse Capriles ao canal de TV Globovisión. “Leopoldo vai sair da cadeia. Esse é o último ano que ele passa preso. A maioria dos opositores presos é do partido dele.”

O governador não deixou claro se a libertação de López está entre as reivindicações da MUD na mesa de negociações, mas outro líder opositor, o presidente da Assembleia Nacional Henry Ramos Allup, também afirmou que o sucesso das negociações depende de "anúncios importantes a serem feitos nos próximos dias”. “Temos que ter um sentido prático da política. Não há o que exigir nem responder”, disse. “Com apenas a possibilidade de diálogo já há os que querem sabotá-lo.”

Mulher de López, Lilian Tintori pediu que o chavismo dê uma "prova" de que o marido esteja bem. “Maduro, desse uma prova de que Leopoldo esteja vivo até as 8h da noite de ” hoje (ontem), disse a ativista. “Desde sexta-feira ele está isolado e não temos nenhuma informação. Não me deixam entrar, nem ninguém da família e nem os advogados.”

No que chamou de sinal de boa fé, o chavismo libertou na terça-feira cinco opositores, mas, ao longo do dia, ameaças feitas por Maduro ao coordenador do Voluntad Popular, Freddy Guevara, provocaram irritação da coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD). 

“Maduro, com sua agressão ao Vontade Popular, com sua tentativa de dividir os democratas venezuelanos, está dando um soco na mesa”, disse o secretário-executivo da MUD, Jesús Torrealba, em seu programa de rádio transmitido na emissora privada RCR.

Maduro declarou na madrugada de ontem que o Voluntad Popular é "terrorista" e pediu aos tribunais que tomem medidas contra a organização e contra seu coordenador encarregado. O partido decidiu não participar do processo de diálogo com o governo que começou no domingo passado em Caracas com o apoio do Vaticano e mediadores internacionais. O partido também criticou que tenham sido suspensas as ações que a oposição tinha proposto contra o governo.

Torrealba destacou que a MUD está composta por partidos que têm visões distintas, mas mantêm uma estratégia comum que inscreve-se na democracia. “Maduro está traindo a palavra empenhada perante o papa Francisco ao tentar esta agressão descomunal”, afirmou. / EFE e AFP

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