Oposição venezuelana quer CPI sobre viagem de ministro ao Brasil

Oposição venezuelana quer CPI sobre viagem de ministro ao Brasil

Deputados devem ir hoje à Embaixada do Brasil em Caracas para pedir cópias de inquérito envolvendo babá de Elias Jaua

Guilherme Russo, O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2014 | 08h45

Deputados de oposição da Venezuela estão reunindo indícios para instaurar comissão parlamentar de inquérito, processo judicial e sindicância interna para investigar o ministro venezuelano para as Comunas e os Movimentos Sociais, Elías Jaua, por peculato, em razão da viagem que ele fez ao Brasil no fim de outubro. Para tanto, os parlamentares estabeleceram uma agenda que hoje deverá levá-los à embaixada brasileira em Caracas.

Na viagem, Jaua, sua mulher e alguns funcionários próximos vieram ao país em um avião da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) - posteriormente, veio a babá de suas filhas, Jeanette del Carmen Anza, de 39 anos, que foi presa com um revólver calibre 38 de seu patrão, carregado, quando chegou ao Aeroporto de Guarulhos, na madrugada de 24 de outubro. 

A deputada Dinorah Figueras, do partido Primeiro Justiça, disse ao Estado que vai hoje à representação diplomática do Brasil na capital venezuelana pedir "cópias certificadas" do inquérito que acusa a funcionária de Jaua de tráfico internacional de arma de fogo. "Queremos analisar os pormenores da investigação." 

O inquérito tramita entre o a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Ao ser beneficiada pelo habeas corpus que a libertou, em 28 de outubro, Jeanette comprometeu-se a comparecer diante da Justiça quando convocada. No mesmo dia, Jaua assinava com o Movimento dos Sem Terra (MST) um pacto de "troca de experiências".

O Itamaraty não tinha sido informado sobre a passagem de Jaua por São Paulo - e o incidente causou mal-estar no governo brasileiro. O ministro afirmou que, em meio à "agenda de trabalho" na cidade, sua mulher teve de se submeter a uma cirurgia - e, por isso, fez com que a funcionária viesse da Venezuela. Jaua disse que orientou a babá a trazer documentos, "advertindo que tirasse da maleta" sua "arma pessoal, legalmente registrada".

A comissão formada pela deputada Dinorah Figueras e pelos deputados Ángel Medina (também do Primeiro Justiça), William Dávila (Ação Democrática) e Andrés Velásquez (Causa Radical) quer saber por que Jaua, que foi chanceler de Hugo Chávez entre 1999 e 2013, não avisou o governo brasileiro sobre sua visita, mas, principalmente, acusa o ministro de "peculato de uso", por utilizar um avião de uma estatal "para fins pessoais". "Não é uma questão de política, mas de institucionalidade", disse a deputada. O grupo busca possíveis irregularidades no caso da prisão da babá.

Velásquez e Medina iniciaram os pedidos de investigação na quarta-feira, na Controladoria Geral da República e na Comissão Permanente de Controladoria da Assembleia Nacional. Dinorah disse que pretende questionar a PDVSA sobre que avião foi utilizado na viagem e não descarta a possibilidade de vir a São Paulo analisar o processo contra a babá, falar com autoridades brasileiras sobre o caso e visitar o Hospital Sírio-Libanês, onde a mulher de Jaua foi internada.

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