Oposição venezuelana reitera convocação à greve

As opositoras Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV) e a associação empresarial Fedecámaras reiteraram hoje sua convocação para uma nova greve geral, na segunda-feira, contra o presidente Hugo Chávez, sem prazo para terminar. O presidente da CTV, Carlos Ortega, um forte crítico de Chávez, afirmou que "não há força no país que possa conter a indignação que o povo mostrará? na ocasião.Por sua vez, o presidente da Fedecámaras, Carlos Fernández, também ratificou hoje que "a greve começa na segunda-feira, 2 de dezembro, às seis da manhã". No entanto, segundo o líder empresarial, "ninguém disse que a greve é indefinida e as condições do protesto serão estabelecidas neste sábado pela Coordenadoria Democrática", a coalizão opositora.Versões da imprensa local afirmam que existem sérias divergências internas entre a coalilzão opositora a respeito dos propósitos desta nova greve geral, a quarta contra Chávez em menos de um ano. Fernández assegura que o protesto servirá para pressionar o governo na busca de uma saída eleitoral e pacífica para a severa crise política local.Saída para criseO governo e a oposição política na Venezuela completam hoje sua terceira semana sentados em torno de uma mesa de diálogos, patrocinada pela Organização dos Estados Americanos (OEA), em busca de saídas eleitorais para a crise política que até agora não mostrou avanços substanciais. Tanto o governo como a oposição concordam que a saída para a crise política deve ser eleitoral, mas diferem radicalmente sobre a maneira e a data em que esta deve se realizar.A oposição exige "eleições já", com as quais espera tirar Chávez do poder, ao mesmo tempo que solicitou ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) um referendo consultivo para pedir que o presidente "renuncie imediata e voluntariamente" à Presidência. O governo, por sua vez, assegura que a consulta eleitoral deve realizar-se por meio de um referendo que, para ter poder para revogar o mandato de Chávez, deve, segundo a Constituição, realizar-se em agosto próximo.As tensões na grave crise política venezuelana tornaram-se mais agudas esta semana devido à polêmica decisão da autoridade eleitoral de convocar o referendo consultivo para 2 de fevereiro de 2003. O conselho eleitoral aprovou a medida na madrugada de quinta-feira por três dos cinco votos dos juízes do CNE.Mas a decisão foi anulada na noite do mesmo dia pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que havia determinado semanas atrás que as decisões do CNE devem ser tomadas por pelo menos quatro de seus cinco membros, como estabelece o Estatuto Eleitoral. O dirigente sindical Carlos Ortega disse hoje às televisões privadas que a decisão do máximo tribunal do país terá uma "resposta contundente" com a greve de segunda-feira.

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