REUTERS/Marco Bello
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Aliança opositora venezuelana decide não lançar candidato contra Maduro

Grupo que reúne as forças antichavistas tenta deslegitimar votação e anuncia boicote ao processo eleitoral; governo aproveita provável ausência de rivais para também pedir a antecipação das eleições legislativas nacionais e municipais

O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2018 | 16h20
Atualizado 22 Fevereiro 2018 | 09h36

CARACAS - A oposição da Venezuela declarou nesta quarta-feira,21, que não vai participar das eleições presidenciais antecipadas para 22 de abril por considerar a disputa “fraudulenta”. Horas depois, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, propôs adiantar também as eleições legislativas nacionais e municipais para a mesma data.

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“Não contem com a Mesa da Unidade Democrática (MUD) nem com o povo para avalizar o que até agora é só um simulacro fraudulento e ilegítimo de eleição presidencial”, declarou a aliança opositora em comunicado lido por seu coordenador político, Ángel Oropeza. Em seu discurso, porém, os opositores deixaram a porta aberta para disputar as eleições caso o chavismo ofereça garantias de que o processo eleitoral será “livre e transparente”.

A MUD tinha até o fim desta semana para definir se participaria do processo eleitoral. O chavismo barrou a participação de seus principais adversários: Leopoldo López, que cumpre prisão domiciliar, e Henrique Capriles, que foi inabilitado pela Justiça. 

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Maduro, porém, foi além e propôs que eleições legislativas municipais também sejam antecipadas. Anteriormente, a eleição para o Parlamento, atualmente sob controle da oposição, estava prevista para 2020. “Venho pensando que essa é uma proposta necessária, justa”, disse Maduro.

Segundo analistas, a medida tem como objetivo pressionar a MUD a dar legitimidade às eleições presidenciais, participando da votação.

Refugiados

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou nesta quarta no Palácio do Planalto que a transferência de refugiados venezuelanos que estão em Roraima para outros Estados brasileiros deve começar em 15 dias. Amazonas e São Paulo serão os primeiros a receber os imigrantes da Venezuela.

Ainda de acordo com o ministro, o Comitê Federal de Assistência Emergencial, que trata da crise dos refugiados venezuelanos, deverá custar aos cofres públicos inicialmente R$ 70 milhões. Uma das primeiras ações previstas é a construção de dois abrigos – um em Boa Vista e outro em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela – para que a triagem dos imigrantes seja realizada. Padilha declarou que é preciso vencer “essa invasão”.

De acordo com a subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Natalia Marcassa de Souza, São Paulo deverá receber cerca de 350 refugiados e o Amazonas, 180.

Segundo Padilha, a Casa Civil cuidará dos detalhes logísticos, mas o comando das operações será entregue ao Ministério da Defesa. O ministro disse que o governo tem a intenção de deslocar os imigrantes para outras áreas do país, mas afirmou que isso só pode ser feito com aqueles que têm condições e desejo de serem transferidos. / AFP, EFE E CARLA ARAÚJO, DE BRASÍLIA

 

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