Oposição venezuelana se reúne com chanceleres

Encontro retoma conversas com mediadores da Unasul e do Vaticano após crise no diálogo com o governo; chavistas acusam rivais de 'conspiração'

EFE, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2014 | 02h09

CARACAS - O setor da oposição venezuelana que participa do diálogo com o governo do país se reuniu ontem, a portas fechadas, com os chanceleres da União das Nações Sul-americanas (Unasul) e com o núncio apostólico Aldo Giordano para expor as razões pelas quais decidiram suspender o diálogo com o governo - a ruptura do diálogo veio depois de a polícia desmantelar quatro acampamentos de manifestantes da oposição na quarta-feira.

Antes do início da reunião que aconteceu ontem na sede da Nunciatura Apostólica em Caracas, o dirigente opositor Roberto Enríquez falou com jornalistas. "O que nos resta é esperar que a comissão da Unasul e o Vaticano consigam destravar o processo de diálogo e nos levem a uma solução que dê esperança ao país."

Enríquez, presidente do partido Copei e membro da comissão da aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), indicou que na reunião o tom seria o de acusar o governo de não estar honrando sua palavra.

Segundo ele, a MUD não aceitará voltar atrás do que teria sido acordado com o governo em rodas de conversa anteriores à ação da polícia e que buscavam colocar fim à maior onda de protestos que o país já viveu.

"Entendemos que ainda é preciso avançar muitíssimo para chegar em acordos com base na Constituição e nos direitos humanos. E é inaceitável é que aquilo que se anunciou perante os chanceleres e o núncio não seja cumprido. Isso é um desrespeito com a Venezuela."

Situação. O chanceler da Venezuela, Elías Jaua, disse ontem, em entrevista ao canal privado de TV Televén, que governo e oposição só terão convivência pacífica se a oposição parar de "promover a intervenção estrangeira". Segundo Jaua, ficou provado que a oposição se reuniu com membros do Departamento de Estado dos EUA depois que a secretária-adjunta para América Latina, Roberta Jacobson, fez comentários sobre a opinião de opositores sobre sanções ao país.

O chavista disse que o encontro é "uma clara confissão de que setores da oposição venezuelana se reúnem com o Departamento de Estado dos EUA" e de que líderes adversários recebem "instruções americanas".

"É um princípio básico: não podemos conviver com uma direita que não sabe perder eleições e que responde ao direcionamento de um governo estrangeiro, de funcionários de terceiro nível do Departamento de Estado dos EUA."

Ele insistiu que "nenhum venezuelano que ame sua pátria pode ir pedir sanções para seu país", em referência às ameaças americanas de fazer sanções à Venezuela. Jaua afirmou que o vai denunciar os EUA para ONU, OEA, Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e Unasul por ingerência.

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