EFE/MIGUEL GUTIERREZ
EFE/MIGUEL GUTIERREZ

Oposição venezuelana utilizará 3 estratégias simultâneas para tentar tirar Maduro do poder

Mesa da Unidade Democrática fará campanhas para promover o referendo revogatório, a emenda constitucional e a renúncia do líder bolivariano; anuncio oficial da estratégia é adiado

O Estado de S. Paulo

03 de março de 2016 | 12h56

CARACAS - A coalizão opositora venezuelana Mesa da Unidade Democrática (MUD) decidiu atuar em três frentes simultaneamente para tentar tirar o presidente Nicolás Maduro do poder: o referendo revogatório, a emenda constitucional e a renúncia do líder bolivariano. No entanto, o anúncio oficial dessas medidas previsto para esta quinta-feira, 3, foi adiado e ainda não tem nova data para ocorrer. 

"Não podemos cometer suicídio e ter apenas uma carta nas mãos. Temos que ter várias (opções) por razões estratégicas", afirmou o deputado Américo De Grazia, dirigente do partido La Causa R., depois de uma série de longas reuniões entre os membros da coalizão.

O secretário-executivo da MUD, Jesús "Chúo" Torrealba, em programa de rádio local, também ratificou a decisão da MUD e disse que será promovida uma "campanha nacional" para estimular as três opções.

"Vamos seguir adiante de forma simultânea com as três opções. Todos concordamos em por em prática todos os mecanismos que estejam a nossa disposição para produzir uma mudança política urgente", afirmou o dirigente da coalizão opositora. Torrealba disse ainda que se o governo tentar obstruir esses mecanismo constitucionais, a MUD - quem tem a maioria do Legislativo - convocará uma Assembleia Nacional Constituinte.

Sobre o adiamento da oficialização da estratégia, o opositor explicou que a decisão foi tomada em  razão da decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), na terça-feira, que suspendeu os poderes do Legislativo de monitorar as atuações do outros poderes públicos. 

"Hoje não faremos o anúncio em razão das circunstâncias (criadas) 48 horas atrás com a sentença do Tribunal Supremo." Ele indicou que a coalizão concentrará seus esforços nesta quinta-feira na sessão da Assembleia Nacional em que será debatida a decisão da Sala Constitucional do TSJ. 

Detalhes. O deputado De Grazia explicou que as preparações para um referendo revogatório do mandato presidencial já podem ser iniciadas porque Maduro completará em 19 de abril deste ano a metade dos seus seis anos de governo, sendo necessário apenas que cerca de 4 milhões de assinaturas sejam coletadas, processo que "já está em andamento", disse o parlamentar sem dar mais detalhes.

Sobre o processo de emenda da Constituição, o deputado indicou que com a maioria simples na Assembleia os opositores podem pedir ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) que o processo seja iniciado. De Grazia afirmou que a oposição buscará com esse mecanismo reduzir o mandato presidencial de seis para quatro anos, eliminar a reeleição indefinida e diminuir de 12 anos para 6 anos a período que os juízes atuam o TSJ.

Desde que a MUD assumiu o controle da Assembleia Nacional, em janeiro, a coalizão anunciou que buscaria em até seis meses diferentes formas para tirar Maduro do poder. Recentemente, o presidente do Legislativo, Henry Ramos Allup, declarou que com a deterioração das condições do país a oposição aceleraria a procura por meios constitucionais de cumprir essa promessa.

A Venezuela sofre com uma inflação altíssima que, segundo estimativas, pode passar de 720% neste ano, além de severos problemas de escassez de alimentos, remédios e outros produtos básicos em meio a uma forte recessão econômica, agravada nos últimos anos em razão da queda no preço do petróleo - principal fonte de ingresso de moeda estrangeira no país. / AFP e AP

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