REUTERS/Marco Bello
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Oposição venezuelana vai às ruas pedir início da coleta de assinaturas para referendo contra Maduro

Em razão da convocação para os protestos desta sexta-feira, o Conselho Eleitoral Nacional decidiu adiar o anúncio que faria para divulgar a data e a condição do recolhimento das firmas, e alegou que funcionários poderiam sofrer ameaças

O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2016 | 11h32

CARACAS - A oposição venezuelana realiza nesta sexta-feira, 16, uma manifestação exigindo a autorização para a coleta de assinaturas visando um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro. Em meio aos protestos nacionais, a autoridade eleitoral do país decidiu adiar, alegando "ameaças", o anúncio que deveria realizar nesta sexta-feira sobre a data e as condições para a coleta das quatro milhões de assinaturas (20% do total de eleitores) necessárias para a convocação às urnas.

Segundo o jornal El Universal, o sistema de metrô de Caracas informou que "pela segurança dos usuários" diante das manifestações, 12 estações foram fechadas nas linhas 1, 2, 4 e 5.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) alegou que os protestos da oposição colocam seus funcionários em risco, e disse que retomará à análise do tema na segunda-feira, embora não tenha especificado se haverá um pronunciamento definitivo.

O CNE "decidiu isto (...) diante da convocação de protestos para os arredores das sedes em todo o país, que têm sido atacadas em diversas oportunidades, desde abril deste ano".

Segundo o Conselho Eleitoral, na quarta-feira foi iniciada "a revisão do processo de recolhimento das assinaturas de 20% do total de eleitores para a possível ativação do referendo revogatório presidencial, que deveria terminar nesta sexta-feira", mas diante do anúncio da mobilização de opositores, "o tema só será retomado na segunda-feira".

Os adversários de Maduro planejam iniciar o dia de mobilizações com um "panelaço", no que chamaram de "cúpula do povo contra a fome e pelo revogatório", em alusão à Cúpula de Países Não Alinhados (NOAL), realizada na Isla de Margarita, norte da Venezuela.

"Será a anti-cúpula, a cúpula do povo em resposta a este esbanjamento (do NOAL) e exigirá o estabelecimento com clareza das condições" para a coleta de assinaturas, disse na quinta-feira Jesús Torrealba, secretário da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD).

Antes da divulgação da decisão do CNE, Torrrealba havia antecipado que a falta de definições sobre a ativação do referendo motivaria ainda mais os protestos. "Se não houver resposta (do CNE) também será um motivo para protestar (...) porque o silêncio é um desrespeito ao direito do povo venezuelano de construir uma solução pacífica, eleitoral, constitucional e democrática para este drama que estamos vivendo", acrescentou Torrealba em uma coletiva de imprensa.

Afetada pela queda das receitas do petróleo, a Venezuela sofre uma crise econômica refletida em uma escassez de 80% dos alimentos e remédios, segundo estudos privados, e a inflação mais alta do mundo, a qual o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta em 720% para 2016.

As mobilizações serão realizadas após dois dias de protestos, em 1º e 7 de setembro, para exigir o referendo. O primeiro reuniu um milhão de pessoas em Caracas, segundo a MUD, embora o governo afirme que compareceram apenas dezenas de milhares. Essas foram as maiores manifestações desde as de 2014 contra Maduro, que deixaram 43 mortos. / AFP

Veja abaixo: Confronto aumenta tensão na Venezuela

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