AFP PHOTO | JUAN BARRETO
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Oposição venezuelana vai às ruas tentar mostrar força

Coalizão Mesa da Unidade Democrática convocou para esta quarta-feira uma 'Tomada da Venezuela', no que deve ser o primeiro de três dias para a coleta de quatro milhões de assinaturas para o referendo - apesar da suspensão do processo pela Justiça

O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2016 | 09h21

CARACAS - A oposição da Venezuela tentará nesta quarta-feira, 26, mostrar sua força nas ruas, com manifestações em todo o país, depois do duro golpe que sofreu com a suspensão do processo de referendo revogatório que lidera contra o presidente Nicolás Maduro, situação que elevou a crise política no país.

A coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) convocou os opositores a uma "Tomada da Venezuela", no que deve ser o primeiro de três dias para a coleta de quatro milhões de assinaturas (20% do padrão eleitoral), último passo antes da convocação do referendo. Com a campanha, a oposição espera deixar em evidência a rejeição da população ao governo de Maduro.

Mas o processo foi suspenso na semana passada por decisão de tribunais penais regionais, que aceitaram denúncias de fraude do governo na primeira etapa de coleta das assinaturas de 1% do padrão eleitoral, necessárias para autorizar a fase seguinte de registro de 20% das assinaturas do padrão eleitoral.

Governo e oposição trocam acusações de golpismo em meio a uma profunda crise econômica que provoca escassez de alimentos e remédios, além de uma inflação calculada pelo FMI em 475% para este ano.

O governo atribui a crise econômica a "empresários de direita" que pretendem desestabilizar Maduro, mas a oposição responsabiliza o modelo socialista do governo e afirma que o referendo é a última "válvula de escape" de uma população irritada por ter de enfrentar longas filas para obter os poucos produtos com preços subsidiados.

Oficialismo. Durante as manifestações da MUD nesta quarta, Maduro deve estar reunido com o Conselho de Defesa da Nação convocado por ele na terça-feira, que tem a participação de todos os poderes públicos e no qual pretende abordar o que considera um "golpe parlamentar", em referência à aprovação de um julgamento de responsabilidade política contra ele por parte da Assembleia Nacional.

"No uso das minhas atribuições (...) convoquei o Conselho de Defesa da Nação, todos os poderes públicos para avaliar o golpe parlamentar da Assembleia Nacional", afirmou Maduro, durante manifestação com de seus simpatizantes em Caracas. "E também convoquei, sem falta o deputado Henry Ramos Allup (presidente do Legislativo). Vou esperar aqui e vou dizer: vamos falar, vamos dialogar, chega de tanta mentira, tanto engano, tanta aventura,"

Neste contexto, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, e o alto comando militar divulgaram na terça-feira um comunicado em que ratificam a "lealdade incondicional" a Maduro. / AFP

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