REUTERS/Henry Romero
REUTERS/Henry Romero

Oposição volta às ruas da Venezuela contra Maduro

Partidários da MUD fazem paralisação de dez minutos em Caracas e tentam chegar às sedes da Justiça eleitoral; chavismo também faz ato

O Estado de S. Paulo

07 de setembro de 2016 | 19h02

CARACAS - Uma semana depois do protesto que reuniu 1,1 milhão de pessoas contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, partidários da oposição voltaram às ruas do país nesta quarta-feira, 7,  para pedir rapidez no referendo revogatório do mandato do líder chavista. Atos pró-Maduro também foram realizados, em menor número, na capital. Não houve registro de violência, apesar da tensão entre militantes de lado a lado. 

Com bandeiras da Venezuela, opositores e chavistas se encontraram nas ruas das 24 sedes do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que amanheceram fechadas e fortemente protegidas pela polícia.

Em Los Teques, a 30 km de Caracas, aproximadamente 1.500 manifestantes de ambos os lados se reuniram separados por apenas um quarteirão e divididos por uma grade metálica e filas de policiais. 

“Temos de fazer algo, o voto e o protesto pacífico são as únicas armas que temos. O governo controla quase todos os poderes e não faz mais do que inventar para evitar o revogatório”, afirmou Rosmina Castillo, de 52 anos.

Em Caracas, os opositores e chavistas se concentraram em algumas praças e parques. “Estamos aqui defendendo a revolução do ataque da direita apátrida. Firmes com Maduro”, disse Alexander Rangel, um trabalhador da empresa estatal de petróleo, na Praça Venezuela, uma das principais de Caracas.

Além dos protestos nas sedes estaduais do Conselho Nacional Eleitoral, centenas de caraquenhos fizeram uma paralisação de dez minutos, a partir do meio-dia. Muitos cantaram o hino nacional. Na maior parte do país, no entanto, os manifestantes não conseguiram chegar às sedes do poder eleitoral.

“Exigimos que se cumpra a Constituição. Temos direito ao referendo”, declarou o porta-voz da opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD), Jesús “Chúo” Torrealba.

A oposição exigirá do CNE, acusado de ser aliado do governo, que acelere o referendo. Ao mesmo tempo, Maduro acusa, sem apresentar provas, os opositores de buscarem a violência e um golpe de Estado.

Crise. A MUD considera o referendo uma “válvula de escape” para o mal-estar e a angústia dos venezuelanos com a escassez de quase 80% dos alimentos e remédios, assim como pela maior inflação do mundo, que o FMI projeta em 720% para este ano.

Maduro, que segundo pesquisas de institutos de opinião privados tem um índice de reprovação de 75%, atribui a crise à queda dos preços do petróleo e ao que chama de “guerra econômica” de empresários e de políticos que, segundo ele, pretendem instalar um governo neoliberal fiel aos Estados Unidos, após 18 anos.

A MUD acusa o CNE de adiar o processo para que o governo ganhe tempo: se o referendo acontecer até 10 de janeiro de 2017 e Maduro perder, novas eleições presidenciais serão convocadas; caso a votação aconteça depois desta data, mesmo que o mandato seja revogado, ele será substituído por seu vice-presidente.

O governo afirma que não acontecerá um referendo em 2016 porque a oposição iniciou os procedimentos de maneira tardia, por conta de conflitos internos. “Não há nenhuma possibilidade, talvez em março”, disse o número dois do chavismo, Diosdado Cabello.

Para acelerar o processo, a oposição exige que o CNE fixe a data e as condições para a coleta de 4 milhões de assinaturas (20% do padrão eleitoral, o equivalente a cerca de 4 milhões de votos), necessárias para que o referendo revogatório seja convocado. Essa fase deve ocorrer no fim de outubro. / AFP

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