Oposicionista confiam em conselho eleitoral venezuelano

Três candidatos opositores do presidente venezuelano, Hugo Chávez, asseguraram nesta quinta-feira que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) se comprometeu a ditar, em julho e agosto próximos, as "regras do jogo limpo" para as eleições presidenciais de dezembro. "É um compromisso concreto e firme; é uma boa notícia", disse Julio Borges em uma entrevista coletiva conjunta com os também candidatos "antichavistas" Teodoro Petkoff e Manuel Rosales. A coletiva ocorreu logo após um encontro a portas fechadas dos três com os diretores do CNE. Rosales sustentou que "a queixa de todos se resume no fato de que os venezuelanos querem um voto absolutamente secreto e que se respeite a vontade do povo na apuração" e "que ganhe o que tenha os votos". Petkoff acrescentou que mais do que estatutos técnicos, trata-se de "aspectos políticos que permitam criar um estado de confiança" e reivindicou a eliminação de máquinas leitoras de impressões digitais dos eleitores. Ele lembrou que a diretiva anterior da CNE aceitou não usar as máquinas nas eleições legislativas de quatro de dezembro passado e pediu que esse veto se repita nas presidenciais de 3 de dezembro de 2006, que decidirão quem governará até 2013.A missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), que examinou as legislativas venezuelanas de dezembro, apresentou há uma semana seu informe final e sublinhou ali a "remota e escassa" probabilidade de que neste país se viole o segredo de voto. "A possibilidade de relacionar o votante com o voto e, portanto, violar o segredo deste é remota e de pequena probabilidade", disse a OEA em seu informe oficial, que coincidiu com outro feito pela União Européia (UE), que também observou as eleições venezuelanas. Horas antes de receber os três políticos, a presidente da CNE, Tibisay Lucena, disse que não havia "posições irreversíveis", mas destacou que sua instância "não negocia"."No CNE não há posições irreversíveis e seus membros estão completamente abertos às propostas oferecidas pelos candidatos (...), mas não negocia, somente conversa para garantir o cumprimento do marco constitucional e legal", que obriga a automatização sem proibir processos manuais complementares. Dessa forma, afirmou Lucena, o CNE "garantirá o sagrado direito do voto secreto". BoicoteNão é o que pensam, no entanto, os dirigentes do partido oposicionista venezuelano Ação Democrática, que decidiu nesta quinta-feira não participar das eleições de dezembro. Segundo o jornal venezuelano La Nacion, o secretário regional do partido, Miguel Reyes, afirmou que a decisão foi tomada com base em uma grande jornada de consultas e tendo em conta todos os comitês regionais do país. Reyes teria apurado que mais de 60% da população não acredita no Conselho Nacional Eleitoral. Ele disse que "(nós do partido) tomamos a decisão de não participar do processo eleitoral e chamaremos a população para participar, porque não há garantias". Ainda segundo o jornal, ele explicou que mostrará a toda a Venezuela um documento que sustenta a determinação de o partido não participar das eleições. Reyes afirmou, ainda, que espera que os candidatos da oposição analisem o boicote e também abandonem as eleições. Caso os candidatos não se abstenham, estarão "fazendo o jogo do atual governo".O líder oposicionista reiterou que o boicote funcionará como protesto, pois não existe possibilidades certas de uma eleição limpa.

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