Opositor acusa Correa de usar mídia estatal

Lasso afirma que números de pesquisa, que o colocam pelo menos 30 pontos atrás de presidente equatoriano, são manipulados

LUIZ RAATZ , ENVIADO ESPECIAL / QUITO, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2013 | 02h07

A quatro dias do primeiro turno das eleições no Equador, o principal candidato da oposição à presidência do país, Guillermo Lasso, participou ontem do último evento de campanha em Quito, com um pequeno comício no Museu Templo de la Pátria, na zona sul da capital, no qual apresentou suas propostas para os cem primeiros dias de governo.

Lasso prometeu "recuperar a democracia no Equador", disse ter certeza de que terá os votos necessários para disputar o segundo turno e atacou o presidente Rafael Correa.

Candidato do movimento Criando Oportunidades (Creo), Lasso acusou Correa de organizar uma campanha de ofensas contra ele nos meios de comunicação estatais e paraestatais e de manipular as pesquisas de opinião para criar uma sensação de que a reeleição ainda no primeiro turno é inevitável.

Segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, Lasso tem uma porcentagem de apoio que varia entre 11% e 20%. Correa tem entre 55% e 62%. Para vencer ainda no primeiro turno, é necessário ter mais de 50% dos votos; ou ao menos 40% dos votos, com uma vantagem de mais de 10 pontos porcentuais sobre o segundo colocado.

"O candidato do Estado utiliza esses meios (as pesquisas) para ganhar uma vantagem psicológica. Na verdade, ele está perdendo (apoio). O povo equatoriano está farto e quer mudanças", disse Lasso ao Estado, em uma entrevista coletiva. "Foi uma campanha dura. Enfrentamos uma ofensiva incansável da parte do candidato Correa, com todos os recursos do Estado e dos meios de comunicação patrocinados por ele. Mas estamos aqui com propostas e ideias. Estaremos no segundo turno e ele terá de cumprir sua promessa de debater."

Questionado sobre uma suposta disposição de Correa de convocar um referendo sobre um terceiro mandato, o candidato foi contundente. "Não estou de acordo com a extensão do mandato. Minha resposta é exatamente o contrário: uma reforma constitucional para eliminar a reeleição imediata. Se Correa disse isso (o presidente afirmou ontem que a possibilidade de alteração da Constituição não está descartada), é a comprovação de sua intenção de eternizar-se no poder", declarou.

Com a carreira de administrador construída no setor financeiro, especialmente no Banco de Guayaquil, o candidato enfrenta rejeição por parte do eleitorado que tem na memória a crise bancária de 1999, quando o governo do então presidente Jamil Mahuad - de quem Lasso foi ministro da Economia - congelou as poupanças dos equatorianos, dolarizou a economia e injetou US$ 8 bilhões em dinheiro do contribuinte para evitar uma quebra generalizada. Seus adversários tentam estigmatizá-lo como um banqueiro que representa a elite. Lasso responde a essas críticas com o argumento de que deixou o ministério pouco depois de dois meses no cargo por discordar das políticas de Mahuad.

As propostas econômicas do candidato vão na contramão da receita de Correa, de investimento em infraestrutura e em gastos sociais. Lasso promete, nos primeiros cem dias de governo, eliminar nove impostos. Segundo ele, isso representaria um corte de 17% na arrecadação federal, que seria compensado com uma queda de 3% no déficit público.

"A melhor maneira de produzir uma política social efetiva é a criação de empregos. Essa é a solução para a pobreza no Equador", afirmou. "Não vamos sacrificar o investimento em programas sociais."

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