Gil Montano/Reuters
Gil Montano/Reuters

Opositor acusa Hugo Chávez no TPI por crimes contra humanidade

Diego Arria, pré-candidato do partido opositor, afirma que socialista cometeu abusos na Venezuela

Efe

21 de novembro de 2011 | 19h42

CARACAS - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi denunciado nesta segunda-feira, 21, no Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade por um dos seis aspirantes a candidato nas eleições presidenciais do próximo ano no país.

 

O ex-embaixador da Venezuela na Organização das Nações Unidas (ONU) Diego Arria disse à rede de televisão Globovisión que apresentou a acusação ao promotor principal do TPI, Luis Moreno-Ocampo, na sede da organização em Haia, e que depois deve entregá-la à Sala de Julgamentos Preliminares, "onde será decidido se ela é pertinente ou não".

 

Arria explicou por telefone à emissora que esteve preparando a denúncia "por mais de um ano e meio". "Há uma lista de ações realmente terríveis, das brutalidades cometidas contra milhares de venezuelanos, que vão de assassinatos a deslocamentos forçados e eliminação da propriedade, como parte de uma política sistemática generalizada de Estado de violar os direitos humanos e realmente cometer crimes contra a humanidade", ressaltou.

 

Questionado pela Globovisión sobre as identidades das "milhares" de vítimas que disse representar, Arria respondeu que "os nomes não podem ser revelados" até que o promotor "determine avançar" no processo, e também se recusou a revelá-los "por temer retaliações do governo venezuelano".

 

Em um debate transmitido pela televisão entre os seis pré-candidatos da MUD em 14 de novembro, Arria, que tem uma das mais baixas intenções de voto segundo as pesquisas, disse que "o final de todos os que abusam de seus povos é a cidade chamada Haia", sede do TPI.

 

O pré-candidato lembrou nesta segunda que, como representante da Venezuela na ONU durante governos anteriores ao de Chávez, participou da investigação de crimes contra a humanidade cometidos em Bósnia, Iugoslávia, Somália e Ruanda. "A comunidade internacional demorou a agir, e o número de mortos foi enorme justamente por não ter se tomado uma atitude a tempo", destacou.

 

Arria acrescentou que a denúncia "não é contra a instituição da presidência, nem contra o chefe de Estado", mas "individual e pessoal" contra Chávez, e pediu à comunidade internacional que "detenha as ações criminosas", entre as quais incluiu as 155 mil vítimas da quadrilha que atuava nos primeiros dez anos de sua gestão, o que foi reconhecido pelo próprio governante em janeiro.

 

O político não aparece nas pesquisas entre os favoritos para ganhar a representação da aliança Mesa da Unidade Democrática (MUD), da oposição, que em 12 de fevereiro do próximo ano realizará eleições primárias para definir quem concorrerá com Chávez nas eleições de 7 de outubro para o período 2013-2019. 

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