Opositor acusa Karzai de 'falsificar' eleição afegã

O principal rival do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, o acusou de usar o Estado para "falsificar" a eleição realizada na quinta-feira e detalhou as alegações de trapaça de oficiais do governo em uma entrevista hoje. Abdullah Abdullah, ex-ministro de Relações Exteriores de Karzai, disse que estava em contato com outras companhias para explorar a possibilidade de uma candidatura de coalização no caso de nenhum dos 36 candidatos alcançar os votos suficientes para evitar um segundo turno, provavelmente em outubro.

AE-AP, Agencia Estado

22 de agosto de 2009 | 19h19

As acusações, que o porta-voz de Karzai nega, são as mais diretas que Abdullah fez contra o governante em um contexto de que provavelmente vai levar semanas antes que um vencedor seja proclamado. Tanto Abdullah quanto Karzai afirmam que estão liderando a contagem dos votos baseados em informes de observadores de suas respectivas campanhas que monitoram a apuração. Por enquanto, oficialmente, a Comissão Eleitoral se limita apenas a cifrar a participação do eleitorado, entre 45% e 50%.

Karzai tenta conquistar a reeleição nesta que é apenas a segunda eleição direta para a presidência do Afeganistão. O pleito é considerado um teste crucial para o regime instalado depois que o Taleban saiu do poder, no final de 2001. O organismo responsável pelas eleições se mostrou crítico às declarações de vitória dos candidatos. "Nem confirmamos nem aceitamos essas reivindicações. Começaremos a informar sobre a apuração a partir de 25 de agosto. Portanto, nenhum candidato pode se atribuir a vitória", disse o porta-voz da Comissão Eleitoral.

Observadores

Os observadores estrangeiros da eleição no Afeganistão disseram hoje que existem sinais de fraude e irregularidades disseminadas no pleito, mas alertaram que é muito cedo para fazer um julgamento sobre a legitimidade dos votos. A Fundação para Eleições Livres e Justas do Afeganistão, que distribuiu quase 7 mil observadores para os pontos de votação, encontrou muitos casos de votação por procuração, urnas obstruídas e funcionários eleitorais não isentos, disse o diretor Jandad Spingar. A fundação ainda está no processo de compilar os dados, disse, e vai levar semanas até chegar a uma conclusão definitiva de quão grande foi a fraude.

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